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O excesso de otimismo do mercado com relação à economia brasileira no processo de retomada econômica pode ser um risco para o Brasil daqui para frente. Esta é a avaliação de Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia de 2008. Ele, que está no País participando da ExpoManegement 2009, disse ter alguns investimentos em papéis brasileiros, mas alertou: ¿claramente, o Brasil vai bem. Mas não é a mesma coisa que dizer que o País vai se tornar uma grande potência econômica no ano que vem. E os mercados estão agindo assim.¿

Krugman apontou que o otimismo exagerado pode provocar uma entrada excessiva de dólares no mercado brasileiro, sobrevalorizando ainda mais o real. O Brasil está sendo levado a um território desconhecido. O desempenho da economia durante a crise foi bom, mas não há nada que indique que o País voltará a exportar com o real valorizado. E o mercado está descolando da realidade, mais uma vez, alertou.

Krugman disse, ainda, que a valorização da moeda brasileira pode gerar algumas "bolhas internas".

Outra má notícia é que a economia real nos Estados Unidos está ruim e tende a ter taxas de juros baixas por mais tempo, o que levará mais dinheiro a outros mercados. Teríamos um efeito disso aqui no Brasil, completou.

Krugman reconheceu que pela primeira vez na minha vida profissional, o Brasil entrou em uma crise e saiu melhor que o mundo, e disse que o perfil financeiro do País fez com que a economia reagisse de forma diferente com relação a crises anteriores, se comportando como um país avançado. É uma história com final feliz, disse.

"Eu tenho, sim, um pouquinho de títulos do Brasil, mas estamos esperando para ver o que vai acontecer. Não porque eu vejo uma crise por ai, mas porque as pessoas estão gostando demais desse tipo de investimento. Eu sou um investidor cauteloso", completou.

Estados Unidos

O economista se mostrou pessimista com relação ao desempenho da economia norte-americana em 2010 e apontou o desemprego como o grande fator de preocupação para os norte-americanos daqui para frente.

Eu não sou especialista em previsões de curto prazo, esquivou-se. Mas tudo o que eu vejo aponta para um 2010 fraco. Não haverá um crescimento vigoroso. Até agora, o que está fomentando a economia são os estoques e o estímulo fiscal, e ambos vão diminuoir em 2010. Teremos um ano fraco, completou.

Krugman projeta crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos em 2010, que seria abaixo do potencial da economia, e acredita que o desemprego no país seguirá próximo dos 10%.

Crise

Segundo Krugman, a parte apocalíptica da crise já foi superada, embora novos sustos ainda devem acontecer no cenário mundial. Deverá acontecer alguma inadimplência em Dubai daqui para frente. Ainda teremos algumas moratórias, calotes.

O economista reforçou, no entanto, que para o desemprego o pior da crise ainda está por vir. Não seria difícil acreditar que o desemprego chegue a 13% nos Estados Unidos em 2010 e passe a aumentar na Europa.

Meu maior medo não é que venha mais um grande choque. O maior temor é que nós fiquemos com a economia contraída por um longo tempo, e teremos uma década perdida, como foi a do Japão, finalizou.

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