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Ministro Guido Mantega, jornalista do iG Guilherme Barros e empresário Carlos Jereissati estão entre agraciados da noite

A Ordem dos Economistas do Brasil premiou nesta segunda-feira os destaques do ano na economia brasileira. O ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu o título de Economista do Ano . Também concorriam ao prêmio os economistas Maílson da Nóbrega, Aloisio Araújo e Antonio Barros de Castro, que faleceu em um acidente trágico no último domingo e foi homenageado com um minuto de silêncio durante o evento. O jornalista Guilherme Barros , colunista do iG , recebeu o prêmio de Jornalista Econômico do ano .

Diante dos cerca de mil presentes na cerimônia desta segunda-feira, em São Paulo, o ministro Guido Mantega ofereceu o prêmio de Economista do Ano a Antonio Barros de Castro. “Ofereço o prêmio ao Antônio, que nos deixou de forma trágica.”

Em seu discurso, Mantega falou sobre a crise da dívida da Europa , os Estados Unidos e a situação do Brasil. Na visão do ministro, “a crise de 2008 ainda não terminou para Estados Unidos, Europa e Japão,” e a relevância da economia norte-americana “será menor do que esperávamos”. Sobre a Europa, o ministro afirmou que “os países estão sempre atrasados em relação à saída da crise”.

Mantega disse ainda que existe uma “crise de confiança na Europa” e que “falta ousadia” dos países para resolvê-la. “As soluções estão aquém do necessário. Não usam política fiscal, só monetária.” Na expectativa do ministro, o ritmo de crescimento global será lento nos próximos dois anos. “Se não tivermos recessão, será um crescimento pífio”, afirmou.

Sobre os países emergentes, Mantega disse que “não estão isentos à crise e que as projeções devem ser alteradas.” O ministro da Fazenda disse também que o Brasil está mais preparado para a crise agora, do que estava em 2008, pois tem mais reservas, um mercado interno “valioso”, depende pouco de exportações e tem um sistema financeiro “sólido”.

A seleção do vencedores do prêmio Economista do Ano, que foi criado em 1958, é feita em três fases, segundo Manuel Enriquez Garcia, presidente da Ordem dos Economistas do Brasil. Os associados dos conselhos regionais da economia em todo o Brasil selecionarem os nomes de destaque no ano e enviam suas listas ao Corecon, que faz uma contagem dos nomes até chegar a quatro finalistas. A decisão final é feita por votação entre os membros do conselho da entidade.

Entre os premiados da noite estava também o empresário Carlos Jereissati, que foi o Economista Homenageado do ano. Em uma avaliação rápida da economia global, Jereissati disse que “o mundo vive em ciclos e que, neste momento, estamos vivendo uma fase de problemas de países”. Ele fez também uma avaliação sobre o impacto da crise para as empresas brasileiras. Presidente do grupo Jereissati, o empresário disse que a situação da dívida dos países europeus “acaba tendo um impacto para as companhias brasileiras”, mas afirmou que as empresas são mais dependentes do que acontece com a China, que é grande compradora do Brasil, do que da Europa. “Acho que se tivermos um bom ajuste fiscal, passaremos bem desta crise", afirmou. O grupo Jereissati é acionista da Oi, empresa controladora do iG .

Também presente no evento, o economista André Franco Montoro Filho concordou. Na avaliação dele, os empresários brasileiros estão mais preocupados com a China do que com a Europa e com os Estados Unidos, já que os chineses compram muito do Brasil. “Enquanto a China estiver em crescimento rápido – e parece que vai continuar assim – os efeitos de crises sobre o Brasil são menores”, disse Montoro, que é professor titular da Universidade de São Paulo (USP).

Assista ao discurso de Mantega, eleito o Economista do Ano:

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