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Uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Estadual (MPE) deu cumprimento a dez mandados de busca e apreensão nas sedes de empresas e entidades acusadas de integrar o chamado cartel do cloro. Foram vasculhados escritórios em São Paulo, Rio, Espírito Santo e Bahia.

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A Carbocloro Indústrias Químicas S/A, uma das maiores empresas do setor, é apontada como líder do esquema. O principal objetivo da investida coordenada pela Secretaria de Direto Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, era tentar obter cópia de e-mails trocados entre os dirigentes investigados.

A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) é citada como uma das vítimas do cartel. A estatal adquire cloro líquido a granel e em cilindros para o tratamento de água e esgoto, em licitações que giram em torno de R$ 25 milhões. "O órgão público, porém, tem sido vítima da ação perniciosa do cartel e, em consequência, a coletividade tem pagado mais caro pela prestação desse serviço", advertem os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartéis e à Lavagem de Dinheiro (Gedec), do MPE.

Nos últimos 14 anos, segundo a acusação, a maioria das licitações abertas pela Sabesp para a compra de cloro tem sido vencida pela Carbocloro - a Hidromar Indústria Química ganhou alguns lotes. Ao perceber que poucas empresas se habilitavam a participar das concorrências, no ano passado a direção da estatal fez alterações no edital (pregão nº 27.212/08). Dividiu a aquisição de 11 itens de cloro em quatro lotes.

A Canexus Química do Brasil, sediada em Aracruz, no Espírito Santo, e a Beraca Sabará Químicos e Ingredientes Ltda, de São Paulo, obtiveram qualificação técnica para participar da licitação. Mas, de acordo com o Gedec, "as empresas estavam alinhadas e, ao final, não concorreram efetivamente no certame licitatório". A Canexus apresentou proposta superior ao que havia se comprometido - alegou alta de 80% no preço de uma matéria-prima utilizada na fabricação do cloro, o que, segundo os promotores, não ocorreu. O preço da Beraca Sabará, próximo ao estipulado pela pesquisa de mercado que balizou a licitação, acabou ficando muito abaixo do ofertado pela Carbocloro.

Outro fato que reforça as suspeitas de formação de cartel, segundo os investigadores, é a proximidade de unidades produtoras da Carbocloro e da Hidromar. Ambas mantêm fábricas na Rodovia Domenico Rangoni (Piaçaguera-Guarujá) - uma funciona no número 585 e a outra, no 590.

Além de vasculhar escritórios e unidades industriais de seis empresas, a força-tarefa esteve na sede da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor) e do Sindicato Nacional da Indústria de Álcalis, situados em um mesmo endereço na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo. A suspeita é de que os escritórios tenham sido usados para "coordenar as ações do cartel".

O empresário Ulisses Sabará, da Beraca Sabará, diz que sua empresa, fundada há mais de 50 anos, foi envolvida por ser uma distribuidora. "Nem se quisesse teria formado cartel. Não temos poder de fogo para isso", assinalou. A Assessoria de Imprensa da Carbocloro disse que não teria como se manifestar em função do horário que foi procurada (20 horas). O Estado não localizou representantes da Canexus e da Hidromar, assim como os diretores das entidades investigadas.

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