Tamanho do texto

O diretor geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Juan Somavia, defendeu nesta segunda-feira em Roma, durante a cúpula social do G8, um pacto global para proteger o emprego em todo o mundo.

"Não decepcionemos as cerca de 90 milhões de pessoas que a cada ano entram no mercado de trabalho", pediu Somavia aos ministros do Trabalho e Assuntos Sociais das sete maiores economias do mundo mais a Rússia, que compõem o G8.

"Haverá muitos desempregados e trabalhadores pobres, sobretudo nos países em desenvolvimento", alertou o dirigente.

"As projeções da OCDE e do FMI demonstram que a economia vai se recuperar lentamente, a criação de empregos será menos em relação à supressão", acrescentou.

Também participa da cúpula da OIT a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que fez um apelo pela adoção de "ações rápidas e determinantes" para reativar o crescimento mundial, advertindo que os 30 países que reúne sofrerão uma contração média de 4,3% este ano.

O secretário-geral da OCDE, o mexicano Angel Gurría, urgiu os líderes mundiais a evitar que a crise financeira se transforme em uma grave crise social e humana.

"Os governantes devem adotar ações rápidas e determinantes para evitar que a crise financeira se torne uma crise social generalizada com graves efeitos para os trabalhadores mais vulneráveis e as famílias desfavorecidas", declarou.

"Espero que a cúpula de chefes de governo e Estado do G20 que acontecerá em Londres aborde também a dimensão humana da crise. Não podem pensar em salvar a própria pele sem salvar a dos demais", acrescentou Gurría.

A nova estimativa de crescimento da OCDE revisa fortemente para baixo o prognóstico anterior, divulgado em novembro do ano passado, que previa para este ano uma contração econômica de apenas 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países da OCDE.

O novo cálculo da OCDE, que será publicado oficialmente no dia 31 de março, em Paris, prevê para 2010 um crescimento "próximo a zero".

Gurría também confirmou os dados sobre o aumento do desemprego na zona da OCDE, que chegará a 10% em 2010 em "praticamente todos os países", afirmou.

"Isso significa que haverá mais 25 milhões de desempregados em toda a zona", indicou.

A OCDE, fundada por 30 países e integrada, entre outros, por Espanha, México, Estados Unidos, Japão e as economias mais industrializadas da Europa, teme que a crise financeira transformada em crise econômica se transforme em uma enorme crise social, afetando principalmente África e América Latina, independentemente das políticas externas dos dois continentes.

Além dos ministros do Trabalho do G8 (Itália, Reino Unido, França, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Canadá e Rússia), participam da cúpula social como convidados representantes do Brasil, México, Egito, África do Sul, China e Índia.

O objetivo da reunião é estabelecer "medidas globais" para enfrentar o problema do desemprego.

Na terça-feira, o ministro brasileiro Carlos Lupi e o ministro mexicano Ernesto Cordero Arroyo farão discursos na cúpula, representando as economias emergentes da América Latina.

kv/ap/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.