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O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), Angel Gurría, mostrou-se pessimista nesta quarta-feira em relação à economia da Eurozona, que deve sofrer a maior desaceleração do crescimento.

"O pior está por chegar", afirmou Gurría na coletiva de imprensa de apresentação de um relatório sobre a zona euro.

"O mercado imobiliário continua se contraindo", afirmou, acrescentando que a deterioração dos déficits orçamentários na Eurozona será muito mais importante nos próximos meses.

No informe apresentado, a OCDE mantém a previsão de recessão na zona euro no primeiro semestre deste ano, adverte que há grandes riscos para as perspectivas de crescimento, mas considera pouco provável que a deflação agrave os problemas.

A produção da zona euro registrou uma contração no segundo semestre de 2008 e segue em queda este ano, com uma dinâmica que permanecerá abaixo da tendência geral até meados de 2010, indica a OCDE em um relatório divulgado nesta quarta-feira.

A OCDE mantém as projeções de novembro, de um crescimento de 0,6% da zona euro em 2009 e de 1,2% em 2010.

"Até o momento as previsões sobre a evolução dos preções estão bem ancoradas", afirma a organização, que considera, portanto, pouco provável a entrada em um período de deflação.

"A deflação não é nosso cenário central, mas a OCDE não a descarta totalmente a curto prazo, caso a redução da inflação seja mais rápida que o previsto", afirmou Nigel Pain, economista da instituição.

A inflação da zona euro, que chegou a 4% no verão (hemisfério norte), caiu a 1,6% em dezembro. A OCDE prevê que será de 1,4% em 2009 e de 1,3% em 2010.

"Apesar das medidas do Banco Central Europeu (BCE), as condições de crédito ficaram mais duras na zona euro, apesar de não existir uma contração forte do crédito bancário", destaca a OCDE.

"A organização espera um corte maior das taxas de juros do BCE", precisou Gurría, enfatizando que "ainda existe uma margem de manobra para um estímulo monetário que passa por essa redução de taxas.

A OCDE é formada por 30 das maiores economias desenvolvidas do planeta.

A Eurozona, que se ampliou para 16 países com a adesão da Eslováquia em 1o. de janeiro, entrou em recessão no terceiro trimestre de 2008, com uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) durante dois trimestres consecutivos pela primeira vez desde a criação do bloco em 1999.

ved/fp/cn

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