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A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mais que dobrou a projeção para o crescimento global em 2010, mas alertou que vai demorar alguns anos até que o desemprego e a dívida dos governos voltem aos níveis registrados antes da crise. Segundo relatório divulgado hoje, a economia combinada dos 30 países-membros da entidade deve crescer 1,9% em 2010, acima da previsão feita em junho, de expansão de 0,7%.

Para 2011, a projeção é de crescimento de 2,5%.

A OCDE disse que os "esforços de política sem precedentes" de governos e bancos centrais ajudaram a limitar a severidade da desaceleração e alimentaram uma recuperação, iniciada no terceiro trimestre. Os formuladores de política devem, agora, planejar a retirada das medidas de estímulo, produzindo estratégias de médio prazo que tenham credibilidade suficiente junto aos investidores, ajudando a manter os juros baixos.

No entanto, a OCDE disse que os bancos centrais não devem começar a retirar o estímulo até o final de 2010, uma vez que as pressões inflacionárias vão continuar fracas. Ao mesmo tempo, a recuperação deve estar segura o suficiente até 2011, para permitir que boa parte dos governos comece o processo de redução dos déficits orçamentários.

"A recuperação começou um trimestre antes do que imaginávamos e tem mais força no curto prazo", disse o economista-chefe interino da OCDE, Jorgen Elmeskov. "Mas apertar aqui e agora pode ser prejudicial: a economia ainda está fraca e a política monetária não está na posição de compensar uma política fiscal mais estrita."

De fato, para cinco países da OCDE, a recuperação não vai começar até 2011. A organização projeta que as economias de Espanha, Grécia, Hungria, Islândia e Irlanda sofrerão contração em 2010. Para a organização, apenas no terceiro trimestre de 2011 a produção global vai atingir o mesmo nível do primeiro trimestre de 2008. O desemprego deve continuar aumentando em 2010 e não cairá rapidamente de volta aos níveis de 2007. Já a dívida dos governos deve superar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, um aumento de quase um terço em relação a 2007. As informações são da Dow Jones.

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