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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou neste sábado que seu governo anunciará muito em breve sua estratégia para reerguer o sistema financeiro e favorecer a concessão de crédito aos americanos e às empresas, com a preocupação de garantir que o dinheiro não sirva apenas para enriquecer os mais ricos.

Em seu discurso semanal, Obama conclamou novamente o Senado a aprovar rapidamente um amplo plano de recuperação da economia, superando as diferenças partidárias.

Entretanto, "os americanos estão cientes de que serão necessários anos, e não meses, para que o país se restabeleça economicamente", e o plano de recuperação, cuja primeira versão foi aprovada quarta-feira pela Câmara dos Representantes, não será suficiente, alertou.

"Meu secretário do Tesouro, Tim Geithner, vai anunciar em breve uma nova estratégia que relançará nosso sistema financeiro e fará circular o crédito na direção das empresas e das famílias", declarou Obama.

O presidente americano não entrou em detalhes sobre o plano, limitando-se a apresentar as grandes linhas. Ele deu a entender, porém, que o plano incluirá medidas para prevenir os abusos.

A ideia será ajudar os proprietários a pagar suas casas, e permitir às empresas criar empregos, explicou.

"Vamos nos assegurar que patrões não retenham fundos destinados a fazer avançar nosso restabelecimento", afirmou, depois de ter disparado quinta-feira contra os prêmios "vergonhosos" que as grandes empresas de Wall Street continuaram a dar a seus funcionários em 2008, num momento em que os americanos davam dinheiro do próprio bolso para mantê-las vivas.

"Estou determinado a fazer o que for preciso para fazer circular o crédito, e os americanos não vão perdoar nem tolerar tamanha arrogância e cobiça", avisou Obama.

As companhias criticadas quinta-feira pelo presidente foram diretamente beneficiadas por um plano de 700 bilhões de dólares lançado durante o governo de George W. Bush para estabilizar e recuperar o sistema financeiro.

"O plano contribuiu paara evitar um desmoronamento financeiro, mas muitos estão frustrados, e com razão, por seus resultados", disse Obama, ressaltando que o plano ajudou os bancos, mas não os proprietários, os estudantes e as pequenas empresas.

O presidente americano denunciou a falta de transparência na utilização dos fundos e prometeu uma "transparência sem precedente" e um "controle rigoroso" na nova estratégia.

Obama não revelou de que forma, nesta nova estratégia, será utilizada a segunda parcela do fundo de 700 bilhões de dólares.

Em se tratando do plano de recuperação no Senado, "seguirei trabalhando com as duas partes para que o melhor texto possível chegue à minha mesa", afirmou o presidente. "Quando o assunto é tão importante, não podemos nos deixar levar pela mesma inércia e pelas mesmas posições partidárias que prevalecem em Washington", finalizou.

lal/yw

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