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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, demonstrou estar irritado com os poderosos banqueiros das grandes entidades financeiras de Wall Street porque, apesar de terem sido resgatadas ou recebido ajuda do governo, continuam pagando bonificações.

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"Não quis ser presidente para ajudar um grupo de poderosos de Wall Street", afirma Obama em entrevista concedida ao programa "60 Minutes", da rede de televisão "CBS", que será exibidoneste sábado à noite, mas que teve alguns trechos já divulgados.

Na segunda-feira, o presidente americano se reunirá com os executivos dos 12 principais bancos americanos.

A insatisfação expressada por Obama na entrevista é idêntica à manifestada em seu tradicional discurso pelo rádio transmitido aos sábados, onde voltou a atribuir a maior responsabilidade da crise econômica às instituições financeiras de Wall Street.

"Foi um desastre que poderia ter sido evitado se tivéssemos normas claras para Wall Street e as tivéssemos aplicado", afirmou.

Em sua entrevista ao "60 Minutes", Obama explicou que as únicas entidades financeiras que pagam essas gratificações e evitam assim os limites que sua Administração impôs às firmas que utilizaram fundos do Programa de Assistência de Ativos de Risco (TARP, na sigla em inglês) são aquelas que devolveram o dinheiro ao Governo.

Porém, o presidente americano não descartou que esses bancos possam ter devolvido o dinheiro somente para poder pagar bonificações a seus executivos.

"Isso mostra que as pessoas de Wall Street ainda não entendem.

Ainda se perguntam por que o povo está furioso com os bancos", acrescentou.

Obama criticou o setor financeiro por gastar US$ 10,2 milhões em bonificações "depois que os EUA atravessaram o pior ano econômico em décadas" e quando "foram eles que causaram o problema".

"O que realmente me é frustrante atualmente é que os mesmos bancos que se beneficiaram dos impostos dos cidadãos estão lutando com unhas e dentes com seus grupos de pressão no Capitólio contra um controle financeiro" mediante uma lei reguladora, disse na entrevista.

A Câmara de Representantes dos EUA aprovou na sexta-feira, em votação apertada, a maior reforma financeira do país desde a Grande Depressão, com o objetivo de consolidar a confiança dos consumidores e combater os abusos de Wall Street.

Com 223 votos a favor e 202 contra, incluindo o "não" de 27 democratas que não acompanharam o voto de seu partido, os legisladores aprovaram uma iniciativa para modernizar o sistema financeiro dos EUA e reforçar a supervisão das atividades bancárias.

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