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Macarena Vidal. Washington, 3 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, fizeram hoje um apelo para que a comunidade internacional se mobilize em prol de uma solução global para os problemas econômicos atuais.

Brown, o primeiro líder europeu a visitar a Casa Branca desde a posse do chefe de Estado americano, foi recebido no Salão Oval, mas depois participou de um almoço de trabalho com Obama.

Em declarações após a reunião, os dois se disseram dispostos a dar sua colaboração e a buscar a ajuda de outros líderes contra a crise econômica mundial.

O presidente americano também se declarou "totalmente confiante" nos planos de seu Governo para fazer frente aos ativos podres que comprometem os bancos e o resto da economia.

No entanto, disse que a recuperação do setor ainda levará algum tempo. "O sistema bancário sofreu um duro golpe", declarou Obama, que citou, entre outros problemas, "uma regulação covarde, um endividamento maciço e riscos enormes tomados por instituições reguladas e não reguladas".

Até agora, as medidas propostas por Obama, que incluem um plano de estímulo econômico e uma iniciativa para ajudar os mutuários de imóveis, foram recebidas com baixas nas bolsas de valores, que esta semana atingiram seus menores patamares desde 1997.

A esse respeito, o presidente americano minimizou a importância das oscilações nos mercados de ações.

"O que olho não são as oscilações diárias das bolsas de valores, mas a capacidade a longo prazo dos EUA e de toda a economia mundial de recuperar o passo", afirmou Obama.

Segundo o chefe de Estado, "as oscilações da bolsa são como as pesquisas em política. Se você presta muita atenção a suas variações dia após dia, perde a perspectiva e fracassa em sua estratégia a longo prazo".

Por sua vez, Brown afirmou que é necessário um acordo global contra a crise que permita, entre outras coisas, a solução do problema dos ativos podres.

O acordo, acrescentou, deveria propiciar a liberação de crédito no sistema financeiro e o retorno da economia à normalidade.

O esboço deste pacto, disse o premiê britânico, será desenhado na cúpula do G20 marcada para 2 de abril, em Londres.

Além disso, Brown frisou a importância de uma reforma profunda no sistema regulador. "Vai haver uma grande mudança", assegurou.

Os dois líderes também elogiaram a "relação especial" entre EUA e Reino Unido, onde existia um certo nervosismo quanto ao estado dos laços diplomático após a chegada de Obama à Casa Branca.

O antecessor de Brown, Tony Blair, manteve boas relações com os ex-presidentes americanos George W. Bush e Bill Clinton.

Brown, que manteve uma relação mais fria com Bush, fez questão de chamar o presidente americano por seu nome primeiro nome no encontro desta terça.

Por sua vez, Obama lembrou que, por parte de mãe, tem gotas de sangue das Ilhas Britânicas, e assegurou que a relação entre EUA e Reino Unido "não só é especial, é forte e será mais forte ainda" durante seu mandato.

Os dois líderes já se viram três vezes. Ambos se reuniram em Washington no ano passado, quando Obama ainda era um dos candidatos democratas à Presidência americana. Depois, voltaram a se ver em Londres, quando o atual presidente dos EUA viajou pela Europa no segundo semestre de 2008.

Durante a reunião de hoje, Obama e Brown falaram ainda sobre o Afeganistão, para onde os EUA enviarão mais 17 mil soldados e querem que seus aliados mandem mais tropas.

O Reino Unido, que já tem o segundo maior contingente estrangeiro no Afeganistão, descartou o envio de mais militares.

Obama, que não quis responder diretamente a uma pergunta sobre o atentado contra a equipe de críquete cingalesa no Paquistão, se declarou "muito preocupada" sobre a situação nesse país e no Afeganistão.

Tanto Washington como Londres "compartilham um profundo interesse em garantir que nem o Afeganistão nem o Paquistão se transformem em refúgios para os terroristas", assegurou. EFE mv/sc

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