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Macarena Vidal. Washington, 1º fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumenta a pressão para que os legisladores aprovem nos próximos dias o plano de estímulo econômico que elaborou para fazer frente à crise financeira.

O pacote, de US$ 819 bilhões e que esta semana começa a ser debatido no Senado, foi aprovado na quarta-feira passada na Câmara de Representantes, mas sem nenhum voto a favor da oposição republicana.

Para que passe no Senado, o plano, que Obama garante que criará ou salvará mais de três milhões de empregos, precisa do apoio de pelo menos 60 legisladores da casa, que tem 58 democratas.

Desde a sua chegada à Casa Branca, há quase duas semanas, Obama corteja os legisladores republicanos para que aprovem o pacote, que destina cerca de US$ 275 bilhões a reduções de impostos e aproximadamente US$ 500 bilhões a projetos de infraestrutura, educação e energia, entre outros.

O chefe de Estado, que em seus primeiros dias de mandato recebeu na Casa Branca os líderes republicanos e democratas do Senado, foi ao Capitólio na última terça-feira para se reunir com os legisladores da oposição. Além disso, no dia seguinte, ofereceu aos membros do Congresso um coquetel na residência presidencial.

Hoje, Obama convidou 15 legisladores - democratas e republicanos - para assistirem com ele, na Casa Branca, ao Super Bowl, a final do campeonato de futebol americano.

No entanto, os republicanos continuam criticando o pacote, que, segundo dizem, desperdiçará o dinheiro dos contribuintes e fará pouco para estimular a economia.

O "número dois" dos republicanos no Senado, John Kyl, disse hoje à "Fox News" que o apoio de seu partido ao plano de estímulo desmorona, e que serão necessários "grandes mudanças estruturais" para que sua legenda o aprove.

O senador declarou que "é preciso começar do princípio" e "refazer" o pacote, já que a proposta atual "desperdiça muito dinheiro".

Na opinião de Kyl, é preciso introduzir emendas que canalizem parte dos fundos ao combate à crise imobiliária, a origem dos problemas econômicos atuais.

Por sua vez, Dick Durbin, "número dois" dos democratas no Senado, afirmou que seu partido está "muito aberto" à adoção de algumas das ideias republicanas.

Devido aos protestos da oposição, esta semana os democratas eliminaram do plano algumas medidas polêmicas, como a reserva de fundos para o planejamento familiar.

Na briga pela aprovação do pacote, Obama pode se fortalecer se, como é esperado, o senador republicano por New Hampshire Judd Gregg for nomeado esta semana seu secretário de Comércio.

Caso Gregg seja ratificado no cargo, o assento que deixará vago no Senado vai ser ocupado por alguém indicado pelo governador do estado, o democrata John Lynch.

Se Lynch nomear um correligionário, os democratas terão 59 votos no Senado, apenas um a menos do que o necessário para aprovar o plano.

A estratégia democrata, no entanto, se viu prejudicada pelo escândalo em torno de Tom Daschle, ex-senador por Dakota do Sul e indicador por Obama para o Departamento de Saúde.

Neste fim de semana, foi confirmado que Daschle deixou de declara impostos ao Fisco, assunto que amanhã será debatido a portas fechadas na Comissão de Finanças do Senado.

A senadora republicana Susan Collins declarou à rede de TV "CNN" que, embora Daschle tenha pago os impostos atrasados e os juros correspondentes, "uma enorme quantidade de dinheiro" foi sonegada.

No entanto, os republicanos foram cautelosos até o momento ao fazerem comentários sobre se estas revelações ameaçam a confirmação de Daschle no cargo. "É muito cedo para dizer isso", afirmou Kyl a respeito.

Tanto a Casa Branca como senadores democratas se disseram confiantes na ratificação de Daschle no Senado. EFE mv/sc

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