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O engenheiro de R$ 15 milhões

Mateus chegou a Parauapebas em 1981 como engenheiro da Vale. Treze anos depois, deixou a empresa para montar seu próprio negócio

Gustavo Poloni, enviado especial a Parauapebas |

Oriovaldo Mateus sabe o que é enfrentar dificuldades. Formado em engenharia mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, passava 30 dias ininterruptos trabalhando na mina de ferro da Vale em Parauapebas, no Pará. Só depois disso ganhava uma semana de folga para ficar em casa. Falar com a família era um sofrimento. Para conseguir usar o telefone público tinha de enfrentar horas de fila. Mateus trabalhou na Vale durante 17 anos e chegou ao cargo de gerente de departamento. Quando a empresa abriu um programa de demissão voluntária, em 1994, viu uma oportunidade para mudar de vida. “Percebi que ganharia muito mais prestando serviço”, diz Mateus.

Salviano Machado
Mateus na fábrica de brita: das filas no orelhão ao faturamento de R$ 15 milhões ao ano
Mateus estava certo. O capital para abrir a primeira empresa veio da rescisão de R$ 135 mil que recebeu da Vale. O empresário usou parte do dinheiro (R$ 45 mil) para comprar um apartamento em Belém, capital do Pará, e o restante investiu numa empresa de sondagens. Batizada de Séculos, o empresário passou a fazer pesquisas de solo na mina de ferro de Parauapebas, onde tinha muitos contatos. Logo ele seria contratado para prestar serviços em outras minas da Vale. A Séculos atuou em Paragominas e Canaã dos Carajás, no Pará, e São Félix e Pitinga, na Bahia. “No auge do trabalho, faturávamos R$ 25 milhões ao ano”, afirma Mateus. Em 2009, receita da empresa caiu para metade desse valor.

A história de sucesso da Séculos animou Mateus, que passou a investir em novos negócios. Ao lado de seis sócios, abriu em 2002 a Geoterra, que faz beneficiamento e comércio de brita e fabricação e transporte de concreto. O negócio também prosperou. A empresa tem capacidade para produzir até 60 mil metros cúbicos de brita por mês, suficiente para construir 20 prédios de 30 andares, e tem 35 funcionários. Sua receita anual é de $ 18 milhões. Para quem tem vontade de trabalhar, Mateus acredita que Parauapebas oferece muita oportunidade. “Principalmente na área de lazer”, diz o empresário. “As pessoas vêm para a cidade só para trabalhar e se esquecem de cobrar opções melhores na hora de se divertir”.

O sucesso na vida profissional melhorou sua qualidade de vida. Casado e com quatro filhos, é dono de uma fazenda de 200 hectares na área de proteção ambiental da Serra dos Carajás. Lá, cria cavalo, carneiro e gado. “Sempre tem um amigo que me liga para dizer que vai fazer um churrasco e que está precisando de carne de qualidade”, diz. Apesar do conforto, às vezes tem vontade de voltar para Campinas, sua cidade natal, onde a família vive até hoje. “Os serviços aqui são ainda muito ruins, até coisas básicas como o telefone e a internet”, afirma Mateus. “A única coisa que me prende em Parauapebas é a oportunidade de ganhar muito dinheiro”.
 

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