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Influência do ambiente internacional turbulento deve continuar a operar nos primeiros meses deste ano

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O núcleo da inflação varejista de dezembro do ano passado medido pelo IPC-DI (0,62%) foi o mais forte desde maio de 2005 (0,65%), segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros. Usado para mensurar tendências, o núcleo é calculado a partir da exclusão das principais quedas e das mais significativas altas de preço junto ao consumidor, e mostra inflação persistente no varejo, principalmente no setor de serviços. 

O especialista ressaltou que, em 2011, a crise internacional foi indiretamente a grande responsável pela desaceleração da inflação medida pelos IGPs contra 2010, visto que derrubou preços das commodities agropecuárias e minerais. A influência do ambiente internacional turbulento deve continuar a operar nos primeiros meses deste ano, com possibilidade de taxas mensais mais fracas para os IGPs, frente ao começo do ano passado.

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No entanto, a influência benéfica do cenário internacional não abrange todos os componentes dos IGPs, formado por atacado, varejo e construção civil. "Podemos ver que o varejo, que não sofre muita influência do cenário internacional, acelerou de 6,24% para 6,36% de 2010 para 2011. Todas as sete classes de despesa no varejo, com exceção de alimentos, contaram com aceleração de preços no período", afirmou. De 2010 para 2011, somente a inflação de serviços medida pela fundação saltou de 5,43% para 6,94%. Entre os serviços que mais subiram está alimentação fora de casa, que saltou de 7,48% para 8,19% no mesmo período. 

"O ano vai começar com a inflação mais baixa. Mas é difícil fazer previsões sobre a inflação dos serviços. Ela até recua, mas muito lentamente. No varejo, a inflação global vai recuar no começo do ano, beneficiada por bens de consumo e por alimentos mais baratos, mas a de serviços, pode resistir mais", avaliou.

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