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BioNovis, criada por união de quatro produtoras brasileiras de medicamentos, terá fábrica e centro de pesquisa para fazer biotecnológicos

Odnir, a frente de José Mendes (Ache), Carlos Sanches (EMS), Nelson Mello (Hypermarcas) e Fernando Marques (União Química): parceria inédita no mercado nacional
Divulgação
Odnir, a frente de José Mendes (Ache), Carlos Sanches (EMS), Nelson Mello (Hypermarcas) e Fernando Marques (União Química): parceria inédita no mercado nacional
Um dia após a presidenta Dilma se reunir com empresários para pedir que façam mais investimentos, quatro farmacêuticas nacionais assinaram um acordo que cria uma empresa de alta tecnologia no País . A BioNovis, fundada pelas concorrentes EMS, Ache, Hypermarcas e União Química, vai produzir os chamados remédios biotecnológicos, usados no tratamento de doenças complexas. Será a primeira grande empresa brasileira a entrar nesse mercado, cujas importações custaram ao governo R$ 6 bilhões no ano passado – que são 46% de todo o gasto governamental com medicamentos importados.

A empresa vai demandar R$ 500 milhões de investimento nos primeiros cinco anos de vida, dos quais R$ 200 milhões sairão dos caixas das sócias (cada uma tem 25% da BioNovis) e darão conta de colocar o negócio para funcionar. O resto será captado conforme o projeto se desenvolva. Não está descartado um financiamento do BNDES – ou mesmo uma sociedade com o banco de desenvolvimento. "Talvez seja o investimento mais importante da história da indústria farmacêutica brasileira", diz Odnir Finotti, presidente da BioNovis.

A empresa terá uma fábrica desses remédios, mas o local e o custo do investimento só devem ser anunciados em 90 dias. Além disso, irão construir um laboratório de pesquisas, que deve começar a funcionar ainda este ano – cerce de 60% do investimento feito na BioNovis será para pesquisa e desenvolvimento. O escritório já começa a funcionar, na Av. Faria Lima, em São Paulo.

Os remédios biotecnológicos, feitos a partir de células vivas, são considerados o futuro da indústria farmacêutica. São caros – mesmo sendo 46% dos gastos públicos com importação, representam só 2% do volume de remédios comprados fora – e consumidos apenas dentro de hospitais, não vendidos em farmácias. É um mercado de US$ 160 bilhões no mundo, e de R$ 10 bilhões no Brasil. Entre os dez remédios mais vendidos mundialmente, cinco são do tipo. "Em vinte anos, o mercado de biotecnológicos será maior que o de remédios químicos", avalia Finotti.

Esses remédios são usados para combater doenças como câncer, artrite reumatóide, lúpus e Alzheimer. São produzidos principalmente nos EUA, Alemanha, Suíça e Reino Unido, mas emergentes como Índia, China e Coreia do Sul já fabricam biotecnológicos – o Brasil importa inclusive da Argentina. A BioNovis deve colocar os primeiros biotecnológicos nacionais no mercado em dois ou três anos. "Como serão feitos aqui, eles deverão ser mais competitivos que os importados", diz o executivo.

O fato de quatro empresas concorrentes terem se unido para criar um negócio é algo inédito no setor. Entre as primeiras conversas e a conclusão do acordo, passaram-se apenas seis meses. No acordo de acionaistas, está previsto que nenhuma delas poderá entrar na fabricação de biotecnológicos, ou seja, virar concorrente da BioNovis. O acordo prevê ainda que a BioNovis não poderá ser vendida para empresas estrangeiras.

Também ficou definido que cada sócio terá dois assentos no conselho, e que a diretoria não poderá ter executivos que também sejam diretores nas acionistas. Finotti, o presidente, estava comandando a Pró Genérico, associação que representa empresas do setor.

"Os sócios sabem que a BioNovis não poderá ser um negócio pequeno, por isso ela já nasce com a intenção de ser uma empresa global e exportar medicamentos", explica o executivo – ainda assim, o principal comprador deverá ser o governo, com 60% dos pedidos. "A empresa tem potencial para se tornar, dentro de vinte anos, a maior farmacêutica brasileira", diz.

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