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Por Silvio Cascione SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil tem tido um desempenho melhor que outros países na atual crise, mas é preciso ficar atento ao excesso de otimismo, avaliou nesta quarta-feira o prêmio Nobel de Economia Paul Krugman.

"O Brasil está indo bem. Tem sido uma boa história. Isso não é a mesma coisa que dizer que o Brasil vai se tornar uma superpotência econômica no ano que vem. E os mercados estão agindo como se isso fosse verdade", disse Krugman a jornalistas em São Paulo.

"Os mercados estão saindo um pouco da realidade."

Em meio à redução dos juros nas grandes economias, o Brasil, com PIB em crescimento e juros básicos de 8,75 por cento ao ano, já atraiu em 2009 mais de 26 bilhões de dólares de fluxo cambial em termos líquidos. No ano, o Ibovespa tem alta de quase 83 por cento, e o dólar já caiu mais de 26 por cento frente ao real.

Para Krugman, no entanto, o passado sugere que não é tão bom ser o principal foco do mercado porque isso abre a possibilidade de subestimar os riscos. Ele citou como exemplos as crises no México, na Argentina e no Sudeste Asiático.

"(Além disso), o Brasil ainda não demonstrou que será uma economia de crescimento realmente rápido", disse.

Apesar do tom cauteloso, Krugman elogiou o desempenho inédito do Brasil na crise global. Segundo ele, foi a primeira vez que o país usou políticas anticíclicas para frear uma recessão, algo possível somente graças à melhora dos fundamentos econômicos levada a cabo nos anos anteriores.

Sobre o mercado de câmbio, Krugman avaliou que o real está sobrevalorizado e que a taxação sobre a entrada de capital estrangeiro não foi efetiva para mudar a tendência. Nesta quarta-feira, a moeda norte-americana terminou o dia a 1,723 real.

A baixa do dólar tem levado economistas a prever um aumento do déficit em transações correntes --com queda do superávit comercial, por exemplo--, que teria de ser coberto pelo fluxo oriundo de transações financeiras. Para Krugman, isso não é um grande problema.

"Basicamente, isso aumenta o risco para a economia, mas não estamos falando de um apocalipse. Não estamos falando (de um caso como o) da Argentina", ponderou.

Krugman mostrou pessimismo sobre os Estados Unidos, estimando que o desemprego chegará ao final de 2010 ainda próximo dos 10 por cento. Em sua avaliação, os motores da principal economia do mundo têm sido os "insuficientes" estímulos fiscais e os estoques das empresas.

Paul Krugman recebeu o prêmio Nobel de Economia em 2008, no auge da crise financeira global, pela análise de padrões de comércio e atividade econômica. Ele leciona nas universidades de Princeton, Yale, Stanford e no MIT, nos Estados Unidos.

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