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A confiança do empresário industrial atingiu o menor índice dos últimos dez anos. De acordo com pesquisa divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu para 47,4 pontos em janeiro deste ano.

Além de ser o menor desde 1999, é a primeira vez, desde 2002, que fica abaixo dos 50 pontos, o que, pela metodologia utilizada, indica pessimismo.

Para o gerente de Pesquisas da CNI, Renato da Fonseca, a queda da confiança reflete o momento em que o País está sendo atingido pela crise. "A confiança está muito baixa, principalmente porque houve piora dos negócios." Segundo Fonseca, o índice reflete o sentimento do empresário, que vem sofrendo com a desaceleração, a queda da demanda e a dificuldade de acesso ao crédito. Essa falta de confiança "afetará negativamente o nível de investimento e a demanda das indústrias por insumos e matérias-primas".

A pesquisa mostra que a queda do Icei é consequência principalmente da percepção dos empresários com relação às condições atuais dos negócios. Esse indicador caiu de 50,5 pontos em outubro de 2008 para 36 pontos em janeiro.

Apesar da piora em relação à situação, o economista da CNI destaca que o empresário ainda é otimista. "Ele sempre acha que vai conseguir se virar, conseguir novos mercados, abaixar custos." Por isso, o Icei em relação à expectativa do empresário para os próximos seis meses se manteve praticamente inalterado, em 53,1 pontos, ante os 53,4 pontos de outubro.

A pesquisa revela ainda que a perda de confiança é mais intensa entre as empresas de maior porte. Essas, segundo Fonseca, foram as primeiras a sentir os efeitos da crise, com a queda da demanda mundial e consequente retração das exportações. Na avaliação por setor, os mais pessimistas são os setores de veículos automotores e papel e celulose.

A pesquisa é feita trimestralmente e o Icei varia de 0 a 100 - valores acima de 50 indicam empresários confiantes. O período de coleta da última pesquisa foi de 5 a 26 de janeiro, quando foram ouvidas 1.407 empresas.

O economista da CNI avalia que, apesar da melhora recente das linhas de financiamento, ainda não houve melhora da demanda e a expectativa é de recessão mundial. Então, para ele, o desafio é reavivar a demanda e mudar essa expectativa negativa.

Fonseca acredita que, com as medidas que estão sendo tomadas pelo governo para combater a escassez de crédito, reduzir impostos de alguns setores, manter investimentos e assegurar a retomada do crescimento, o quadro de desconfiança poderá começar a ser revertido. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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