Tamanho do texto

Perspectiva para o rating dos EUA é de novo rebaixamento, com probabilidade de 33%; recuperação requer reformas tributárias

Nova York, 8 ago (EFE).- Se as experiências do passado se repetirem, os Estados Unidoes devem demorar quase dez anos para recuperar a confiança da economia e voltar a receber a nota AAA da agência Standard & Poor's. A S&P foi a primeira agência a retirar a nota máxima da dívida soberana dos Estados Unidos , nesta sexta-feira.

Nenhum país cuja qualificação máxima tenha sido rebaixada pela agência conseguiu recuperá-la em menos de nove anos, lembrou o diretor-chefe da S&P, John Chambers durante uma entrevista coletiva. Ele ressaltou, no entanto, que "cada país tem seu próprio tempo, e não estamos sugerindo nenhum prazo".

Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia e Suécia conseguiram nos últimos anos reconquistar a confiança e honrar suas dívidas, mas todos eles demoraram em média dez anos e a base de "reformas tributárias substanciais durante um longo período", explicou Chambers.

O caminho para a recuperação do triplo A, que indica máxima solvência, foi conquistado nessas nações "não somente com reformas tributárias, mas também econômicas", disse. Além disso, outros países, como França e Reino Unido, conseguiram manter suas notas graças a "políticas fiscais bem projetadas", como o aumento da idade de aposentadoria, no caso da França, explicou Chambers.

Perspectiva negativa para os EUA

Entretanto, os diretores da agência de qualificação  não parecem estar muito convencidos que os políticos dos Estados Unidos possam levantar posições em matéria de política fiscal para que o País recupere o AAA. Em nota, a S&P disse que o rebaixamento reflete a opinião de que o pacote de medidas fiscais aprovado na semana passada pelo Congresso americano não é suficiente para estabilizar a dinâmica do débito do governo a médio prazo.

Assim, a agência sugere que a qualificação dos Estados Unidos se encontra agora em perspectiva "negativa", o que supõe que a S&P poderia aplicar um novo rebaixamento entre os próximos seis e 24 meses. A probabilidade que isso aconteça é de 33%, garantiram os diretores da agência.

De qualquer modo, Standard & Poor's também assegurou que, se o pacote de medidas fiscais for aplicado em sua totalidade, a perspectiva da nota do país poderia elevar-se de "negativa" para "estável". Embora as dúvidas sobre a capacidade de recuperação econômica americana tenham se intensificado nas últimas semanas, a decisão da Standard & Poor's esteve principalmente motivada pelo desacordo político que deixou o país à beira da moratória na semana passada.

Em 1º de agosto, quando o Departamento do Tesouro tinha advertido que ficaria sem fundos para enfrentar seus pagamentos, o Congresso aprovou "na última hora" um pacto bipartidário para elevar o limite de endividamento do país, que até então estava fixado em US$ 14,29 trilhões.

Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA
AFP
Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA
Esse plano, que envolve cortes iniciais de US$ 1 trilhão na próxima década, não convence os especialistas da Standard & Poor's. Para eles, a medida não é suficiente para estabilizar as contas públicas americanas.

Decisão criticada

A decisão da agência de qualificação despertou uma grande rejeição no Governo nos Estados Unidos e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner , declarou no domingo que S&P demonstrou "um critério verdadeiramente terrível". Perante as críticas, os especialistas da agência asseguraram nesta segunda-feira estar "muito orgulhosos" de sua história qualificadora e pediram para quem duvidasse de seus métodos de medição de risco que estudasse os critérios de análise aplicados em suas decisões.

Agora todos os olhares estão voltados para as outras duas principais agências de qualificação, Moody's e Fitch, que na semana passada decidiram manter a "AAA" da dívida soberana americana, embora a primeira delas advertisse que pode rebaixar essa nota antes de 2013 se não forem aplicadas novas medidas para reduzir o déficit público.

Diante desse panorama, o nervosismo entre os investidores é visível. As bolsas de valores estão despencando no mundo todo.