Tamanho do texto

Brasília, 13 jul (EFE).- O recente reatamento das negociações para um acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será um dos assuntos centrais de uma nova cúpula entre o Brasil e o bloco comunitário que será realizada amanhã em Brasília.

Brasília, 13 jul (EFE).- O recente reatamento das negociações para um acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será um dos assuntos centrais de uma nova cúpula entre o Brasil e o bloco comunitário que será realizada amanhã em Brasília. Os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, irão representar a União Europeia, enquanto a delegação anfitriã será liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta é a quarta cúpula desde 2007, quando as duas partes assinaram um acordo de associação estratégica a fim de estabelecer diálogos de alto nível no campo político, econômico, comercial, cultural e social, entre outras áreas. Desta vez a cúpula será realizada dias antes do Brasil receber da Argentina a Presidência rotatória do Mercosul, bloco que retomou no começo do mês em Buenos Aires as negociações para um acordo comercial com a UE, suspensas há mais de seis anos. Lula, que entrega o cargo no dia 1º de janeiro de 2011, disse em várias ocasiões que antes de concluir seu mandato queria ver o acordo com a UE assinado. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse, por sua vez, que o Brasil irá se esforçar na Presidência do Mercosul para que esse acordo seja fechado até o fim do ano. Apesar das negociações terem sido retomadas, nas últimas semanas surgiram polêmicas devido a aparentes impedimentos ao comércio impostos pela Argentina, o que motivou queixas do bloco europeu. No fim do mês passado, o comissário europeu de Agricultura, Dacian Ciolos, exigiu da Argentina uma "ação clara e rápida" para acabar com as restrições impostas a produtos agroalimentares, pois elas poderiam "afetar" as negociações entre a UE e o Mercosul. Buenos Aires, no entanto, nega que imponha barreiras ao comércio com o bloco comunitário e afirma que todas suas decisões foram tomadas no marco da Organização Mundial do Comércio (OMC), perante a qual a UE pretende denunciar o Governo argentino. Além disso, na Cúpula Brasil-UE também serão abordadas diversas questões bilaterais, com ênfase nos aspectos comerciais. Em 2009, as exportações brasileiras para os países da UE somaram 25,641 bilhões de euros, contra as importações desde o bloco comunitário que totalizaram 21,572 bilhões de euros. Amanhã o Brasil também deve reiterar seu desejo de recuperar o terreno que suas exportações de carne bovina perderam na UE. Elas caíram 85% em 2009 após uma suspensão de um mês ditada pelas autoridades europeias perante a suspeita de que a carne brasileira não cumpria com todas as normas comunitárias. Outro assunto de especial interesse para o Governo Lula é a certidão ambiental que a UE pretende impor a suas importações de biocombustíveis, dos quais o Brasil é um dos maiores produtores do mundo. O Brasil faz parte de um grupo de países que realiza um diálogo informal com a UE, à qual tentam convencer de não levar adiante essa iniciativa, pois poderia gerar "discriminações" no comércio da bioenergia. Amanhã deve ser assinado um acordo que estabelecerá mecanismos de cooperação entre a UE e o Brasil para a produção de biocombustíveis em Moçambique, considerado o país da África que mais avançou nessa área da energia limpa. EFE ed/pb

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.