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Fabricantes de peixes enlatados pedem aumento na cota de importação de matéria-prima e barreira para produto acabado

Sardinhas pescadas e processadas em indústria Femepe, de Santa Catarina: pedido para ampliar a cota de importação de matéria-prima
AE
Sardinhas pescadas e processadas em indústria Femepe, de Santa Catarina: pedido para ampliar a cota de importação de matéria-prima
Na guerra das sardinhas, os fabricantes de peixes enlatados estão pedindo aumento na cota de importação da matéria-prima congelada, com alíquota mais baixa, de 2%, em vez de 10%. O pedido entregue à Secretaria Especial de Acompanhamento Econômico (Seae) Ministério da Fazenda é que eleve de 30 mil para 50 mil toneladas, de forma a evitar o desabastecimento do mercado.

“O consumo de pescados está crescendo, demandando mais matéria-prima”, diz o secretário-executivo do Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe), Flávio Leme.

Segundo números da associação, que reúne fabricantes como Gomes da Costa, Coqueiro (Pepsico) e Alcyon (Femepe), a previsão é que a demanda da indústria alcance 80 mil toneladas de sardinhas, das quais 35 mil são supridas pelo mercado interno. O pedido de importação com alíquota reduzida vem sendo atendido há cinco anos, mas a cota chegou a ser maior em 2009, de 80 mil toneladas.

Ao mesmo tempo, o Conepe pede a manutenção da barreira de importação do produto acabado, aplicada no ano passado que elevou a tarifa das sardinhas enlatadas de 16% para 32%. Recentemente, o Ministério da Pesca se posicionou contra a medida, que depende da decisão da Fazenda, o que deve acontecer em agosto.

A medida afeta importadoras de produtos acabados. Uma delas é a Ampex Food Holdings, do empresário José Eduardo Simão, ex-acionista da Gomes da Costa, vendida ao grupo espanhol Calvo. No ano passado, quando a barreira contra o produto acabado afetou o seu negócio, ele acusou as empresas nacionais de cartel e manterem margens altas na venda do produto interno mesmo se beneficiando das cotas de importação reduzidas. O iG não conseguiu localizar nesta sexta-feira o empresário que comercializa o produto com a marca Beira-Mar.

“Essas importações não agregam valor ao segmento da cadeia. Além disso, a indústria está investindo e empresas estão sendo revitalizadas”, diz Leme. “Não podemos interromper esse processo.” O pedido de importação com alíquota reduzida vem sendo atendido há cinco anos, mas a cota chegou a ser maior em 2009, de 80 mil toneladas. A matéria-prima congelada é originária principalmente do Marrocos.

Segundo o Conepe, empresas antigas como Conservas Rubi e Piracema voltaram a operar com mais intensidade. A espanhola Jealsa Rianxeira adquiriu os ativos da Leal Santos, no Rio Grande (RS), e planeja novos investimentos. “Tudo isso é fruto da demanda interna de pescados. Não podemos perder os cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos deste setor”, afirma Leme.

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