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Moscou e Kiev, 16 jan (EFE).- Rússia e Ucrânia afinaram hoje suas estratégias para a reunião que farão amanhã em Moscou os chefes do Governo de ambos os países para desbloquear a crise do gás e salvar sua reputação perante a Europa.

A Comissão Europeia (CE) disse hoje que as negociações entre o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e sua colega ucraniana, Yulia Timoshenko, são a "última oportunidade" para demonstrar sua seriedade e credibilidade como parceiros da União Europeia.

A mensagem de Bruxelas é direta: se Putin e Timoshenko não chegarem a um acordo, a UE revisará suas relações com ambos os países.

"Infelizmente, o assunto se saiu dos marcos bilaterais e do campo jurídico", declarou o presidente russo, Dmitri Medvedev, ao receber no Kremlin as cartas credenciais de novos embaixadores, em alusão ao problema que sofre, por falta de gás russo, grande parte da Europa, desde o dia 7.

Medvedev, que a Ucrânia responsabilizou pela crise, ressaltou que precisamente para "desbloquear o fornecimento e acabar com a 'fome' de gás na Europa" convocou para amanhã em Moscou uma conferência internacional.

No entanto, a iniciativa do Kremlin, que começou como uma convocação de uma grande cúpula internacional, foi desbotando diante da postura da UE, para a qual o conflito deve ser solucionado em negociações diretas entre Moscou e Kiev.

A CE anunciou que enviará a Moscou apenas o comissário de Energia, Andris Piebalgs, e ao ministro tcheco de Indústria, Martin Rimam, para "assistir" Rússia e Ucrânia na solução de sua disputa comercial.

Na véspera de sua reunião com Timoshenko, Putin viajou hoje à Alemanha para conseguir respaldo sua proposta de que a Europa "compartilhe os riscos" do trânsito do combustível pela Ucrânia mediante a criação de um consórcio que custeie o gás técnico que Kiev exige para reativar seus gasodutos e retomar o tráfego.

O consórcio russo Gazprom anunciou hoje que já estão prontos os documentos para formar o consórcio internacional, do qual também estariam dispostas a participar a italiana ENI, a alemã E.ON Ruhrgas e a francesa GDF Suez.

Em Kiev, enquanto isso, o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, reuniu-se com seu colega eslovaco, Ivan Gasparovic; a primeira-ministra moldávia, Zinaida Greceani, e o ministro de Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski.

O chefe adjunto de seu Secretariado, Roman Bessmertni, chamou de "letra morta" a iniciativa russa sobre o consórcio, após assegurar que a única coisa que procura Moscou é tirar mais dinheiro para a construção de gasodutos alternativos aos ucranianos.

O vice-primeiro-ministro da Ucrânia, Grigori Nemyria, declarou que a reunião entre Putin e Timoshenko oferece a possibilidade de avançar na busca de acordos.

Ao mesmo tempo, ressaltou que a retomada do trânsito do gás russo à Europa não está vinculada à realização de foros ou cúpulas energéticas.

"Não vai ser por muitas cúpulas que haverá mais gás", especificou, segundo a agência "Unian".

No entanto, opinou que, caso haja uma reunião energética no nível máximo, esta deveria acontecer na capital de algum país da UE.

Pelo sistema de gasodutos ucranianos passa 80% das exportações de gás natural russo com destino à Europa.

O conflito entre Rússia e Ucrânia explodiu no último dia 1º quando a Gazprom, estatal russa de gás, cortou totalmente o fornecimento ao país vizinho, após não chegar a um acordo de tarifas para este ano com a ucraniana Naftogaz, também estatal de gás.

Após o corte do fornecimento à Europa, a Rússia declarou que a Ucrânia deverá pagar preços europeus por seu gás, que cifrou na ordem de US$ 450 por mil metros cúbicos, contra os US$ 250 que propusera no final do ano passado.

A Ucrânia considera que o preço adequado do gás russo para o primeiro trimestre do ano seria entre US$ 192,6 e US$ 218, por mil metros cúbicos, segundo Bogdan Sokolovski, assessor de Segurança Energética do presidente ucraniano.

Kiev insiste que os problemas do trânsito do gás russo à Europa e o do abastecimento direto à Ucrânia -sobre os que ainda não há acordo- estão estreitamente vinculados.

As autoridades ucranianas parecem estar dispostas a pechinchar até o último centavo e a esgotar todos os recursos nas negociações com a Rússia.

Timoshenko assegurou ontem que nos depósitos ucranianos há gás suficiente para negociar com tranquilidade os contratos com a Rússia e acrescentou em reunião do Governo: "17 bilhões de metros cúbicos de gás nos bastarão para negociar com calma, sem pressas". EFE bsi-se-bk/jp

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