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A indústria automobilística brasileira vendeu, até novembro, 2,848 milhões de veículos, um recorde atingido um mês antes de o ano terminar. Até dezembro, o número deve passar de 3 milhões de unidades, consolidando o Brasil como quinto maior mercado mundial.

As principais montadoras operam no limite da capacidade e partem para um novo ciclo de investimentos, visto pelo setor como o mais importante desde o final dos anos 90, quando ocorreu um boom de novas empresas no País.

Só os programas anunciados nas duas últimas semanas pela Ford e a Volkswagen somam R$ 10,2 bilhões e novos projetos serão revelados nos próximos meses. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prepara relatório atualizado do plano de investimentos do setor, incluindo as autopeças. A conta anterior, de US$ 23 bilhões de 2008 a 2012, está defasada, admite o presidente da entidade, Jackson Schneider.

O novo ciclo tem características diferentes dos anteriores. Nos fim dos anos 90 e início dessa década, os investimentos focam focados na construção de novas fábricas. Sete novas marcas inauguraram fábricas locais e cinco das que já atuavam no País construíram novas unidades, além de dezenas de novos fornecedores de autopeças.

No ciclo anterior, que deveria ir até 2012, os esforços foram em modernização, rearranjo de gargalos e produtos. "Os novos programas são mais amplos, pois envolvem aumento de capacidade, produtos e tecnologias", diz Schneider.

Novas fábricas também estão contempladas. A japonesa Toyota vai instalar uma unidade em Sorocaba (SP), num aporte previsto em R$ 1 bilhão. A coreana Hyundai, que após o estouro da crise financeira suspendeu projeto de US$ 600 milhões para uma fábrica em Piracicaba (SP), já fala em retomá-lo. A aposta de que uma fabricante chinesa chegará ao País em breve também é grande.

Na visão de analistas do setor automobilístico, ao consolidar-se como sexto maior produtor mundial de veículos, e quinto maior mercado, o Brasil ganhou mais atenção dos investidores internacionais.

"O mercado automobilístico brasileiro tem potencial para continuar crescendo nos próximos anos, impulsionado pela forte recuperação do ritmo de atividade econômica, pelo aumento da oferta de crédito e também pela entrada de novos consumidores no mercado", diz o presidente da Fiat, Cledorvino Belini.

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