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Os Estados Unidos falharam ao focar demais no setor de serviços. Este é um modelo fracassado

"Líderes do Brasil, não entrem no modelo baseado em serviços." O conselho é do presidente do Instituto Americano de Ferro e Aço (Aisi, na sigla em inglês), Daniel Di Micco, que atribui grande parte do atual problema de desemprego nos Estados Unidos a um erro de estratégia do governo.

"Os Estados Unidos falharam ao focar demais no setor de serviços. Este é um modelo fracassado", avaliou durante o 22º Congresso Brasileiro do Aço, que acontece em São Paulo. Para DiMicco, o maior desafio da economia americana atualmente é a geração de empregos.

Ele ressaltou que nos últimos meses o mercado de trabalho no país começou a dar sinais de enfraquecimento, mostrando-se em condições piores do que no momento mais delicado da década de 1990. "Soluções para essa situação devem partir de coisas reais. Não adianta criar riquezas falsas", comentou em alusão ao mercado financeiro.

"As bolhas mostram que tivemos uma economia baseada no nada. Como criar empregos do nada", acrescentou, referindo-se à crise das empresas de Internet, em 2000. Segundo DiMicco, os serviços deveriam servir ao setor produtivo e não "servir por servir". "Os Estados Unidos se esqueceram desse ciclo virtuoso", pontuou. Pelos seus cálculos, o país precisa investir US$ 1,2 trilhão em infraestrutura para que sejam criados os postos de trabalho necessários para sua recuperação econômica.

"A crise dos Estados Unidos é de emprego e isso só se resolve com construção", argumentou. Embora assuma que os Estados Unidos são responsáveis por grande parte da crise na qual o país se encontra, o presidente do Aisi não deixou de apontar a China como uma barreira não só à economia americana, mas à economia mundial. "Os chineses praticam subsídios abusivos e ilegais. As estatais são um problema que teremos que lidar", concluiu.

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