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A Mitsubishi deve transferir parte de sua produção do Japão para o Brasil. A intenção é reduzir o impacto do fortalecimento da moeda japonesa, o iene, em seus custos de produção.

O modelo mais cotado para ser feito no País é o Pajero, cujas versões TR4 e Sport já são montadas em Catalão (GO). A transferência foi divulgada pelo jornal japonês Nikkei. Segundo a publicação, a empresa quer fazer do País sua base de exportação para a América Latina.

Em nota, a MMC Automotores, representante local da Mitsubishi, disse que "há algum tempo tem se estudado alternativas de modelos que pudessem ser produzidos no Brasil". Segundo a nota, estão sendo analisados quatro modelos três deles devem ser produzidos no País, sendo alguns com potencial de exportação para a América Latina e Caribe.

"Dentro de 60 dias, a MMC deverá anunciar qual o primeiro modelo selecionado e os demais, até o final do ano", informa a nota, acrescentando que "os elevados padrões de qualidade e tecnologia da unidade de produção brasileira foram fatores determinantes para a consolidação dessa estratégia".

A MMC pertence ao empresário brasileiro Eduardo Souza Ramos que, em 1998, obteve um contrato de transferência de tecnologia da Mitsubishi e construiu a fábrica goiana, abastecida com peças da matriz. Todo investimento realizado no projeto, de cerca de R$ 850 milhões, foi bancado por ele.

A Mitsubishi, segundo a reportagem do Nikkei, teria escolhido o Brasil em razão dos acordos comerciais que o País mantém com o Mercosul e com o México, que isentam as exportações de veículos de impostos.

O grupo quer aumentar a produção no País de maneira progressiva, até chegar aos 50 mil veículos anuais. Hoje, a produção local do Pajero TR4, Pajero Sport e da picape L200 não chega a 30 mil unidades. O Pajero Full e o Outlander vêm do Japão.

O grupo Mitsubishi projeta prejuízos de US$ 670 milhões no ano fiscal que termina no fim de março, depois de enfrentar quedas das vendas em mercados globais e o fortalecimento do iene. A produção global da Mitsubishi em janeiro foi de 53,3 mil veículos, 53,9% menos que em igual mês de 2008.

O presidente do grupo, Osamu Masuko, disse que a companhia pretende voltar ao lucro no próximo exercício, mas descartou alianças e fechamento de fábricas
A unidade brasileira também enfrenta problemas com a crise. Em setembro, um mês após ter criado o segundo turno de trabalho, com contratação de 150 pessoas, demitiu 130. Em 2008, a marca vendeu no País 41,1 mil veículos, o equivalente a 1,54% do mercado de carros e comerciais leves foram 19 mil L200 e 18 mil Pajero.

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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