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BRASÍLIA - O Ministério Público Federal de Brasília ofereceu, ontem, denúncia à Justiça contra os envolvidos no escândalo de propina nos Correios. O episódio, divulgado à imprensa em maio de 2005, deflagrou a crise do mensalão.

Na época, Maurício Marinho, então chefe do Departamento de Compras e Contratações dos Correios, foi filmado cobrando R$ 3 mil a título de propina. Na ocasião, Marinho disse que atuava para o PTB, presidido pelo então deputado Roberto Jefferson (RJ). Ao ver que o governo não o apoiaria no episódio, Jefferson fez a denúncia do mensalão .

A denúncia dos 40 do mensalão, que envolvia o suposto pagamento de mesada a parlamentares, foi recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2007. Agora, o Ministério Público concluiu a denúncia quanto às suspeitas de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). De acordo com os procuradores da República Bruno Acioli, Raquel Branquinho e José Alfredo de Paula, a ECT foi vítima da ação organizada de quadrilhas compostas basicamente por empregados públicos, políticos, empresários e lobistas . Eles denunciaram Jefferson, Marinho, os funcionários da estatal Antônio Osório, Fernando Godoy, Julio Imoto, Eduardo Coutinho, o ex-presidente da Eletronorte Roberto Garcia Salmeron e o primo de Antonio Osório, Horacio Batista.

O MP recebeu levantamento da Controladoria-Geral da União indicando que o montante de propina recebido pelo grupo deve alcançar R$ 5 milhões. Os procuradores afirmaram que o grupo operou, entre fevereiro de 2003 a junho de 2005, no desvio de verbas da estatal para financiar políticos, em especial o PTB.

O esquema montado por Roberto Jefferson, chefe da quadrilha, teve início com a indicação política de Antônio Osório, que é filiado ao PTB, para ocupar o cargo de diretor de recursos humanos, e, posteriormente, o cargo estratégico de diretor de administração da ECT , relata o MP. Nessa posição, Osório agregou seus principais auxiliares: Fernando Godoy e Maurício Marinho, ambos empregados concursados da ECT e principais operadores do esquema. Mais adiante, os servidores Eduardo Coutinho e Julio Imoto também se associaram ao grupo. Segundo as investigações, Jefferson foi assessorado por Salmeron que monitorava pessoalmente o desempenho de Osório na missão de arrecadar fundos para o PTB.

A denúncia será analisada pela 10ª Vara da Justiça Federal, em Brasília, que abrirá prazo para os acusados apresentarem defesa.

(Juliano Basile | Valor Econômico)

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