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Preços da commodity subiram 14,8% e impulsionam inflação no atacado

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A alta de 14,81% no preço do minério de ferro no atacado respondeu por 70% da taxa de inflação registrada na segunda prévia do IGP-M de agosto, que subiu 0,55%, após avançar apenas 0,03% em igual prévia em julho. A informação foi divulgada na quinta-feira pelo economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz.

O minério ainda sofre a influência do aumento recente promovido pela Vale, que agora promove reajustes com periodicidade trimestral no preço do produto, para acompanhar melhor a flutuação de preços do item ao longo do ano. Antes, a empresa promovia reajustes anuais no preço do minério, o que provocava um salto na inflação correspondente ao mês de reajuste. "Não acho que o preço do minério vá subir mais que isso (14,81%) até o final do mês", acrescentou Braz.

Na avaliação do especialista, os índices inflacionários do mês de agosto captarão o auge do impacto do reajuste, que não deve aparecer com a mesma intensidade nos índices de setembro. Mesmo com a influência expressiva do minério na inflação mensurada pela segunda prévia de agosto, o produto não foi o único a mostrar aumento intenso no setor atacadista. Altas importantes foram detectadas nos preços de soja em grão (8,64%), trigo (0,25%) e bovinos (2,00%) no atacado. Estes produtos também mostraram elevação de preços no Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) de agosto, indicador anunciado esta semana pela FGV. "Estes preços estão conduzindo a repasses importantes nos preços do varejo", alertou.

O especialista informou que, entre os "contágios" de altas no atacado, foram registradas aumentos nos preços de pão de forma (2,73%) e carne bovina (1,06%). "Os preços do varejo mostraram recuo de 0,28% na segunda prévia de agosto do IGP-M somente por conta dos alimentos in natura, que estão caindo muito de preço. Existem muitos exemplos de alta no varejo", disse. Para ele, é possível perceber que, tanto no atacado quanto no varejo "há uma multiplicidade de elevações" entre os produtos pesquisados, que pode continuar a pressionar a inflação no próximo mês.

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