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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou hoje que não faltará crédito para as empresas exportadoras, pois o governo está atento aos desdobramentos da crise financeira internacional e já está tomando medidas para conter os efeitos da crise no País. Não há nenhum pacote.

Agiremos de acordo com as circunstâncias de forma pontual ao que estiver acontecendo."

O ministro destacou que o Tesouro liberou R$ 5 bilhões para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a finalidade de reforçar o desembolso de recursos para operações realizadas por exportadores especiais na modalidade pré-embarque. "O BNDES e o Banco Central estão atuando em plena sintonia para que os exportadores não sofram problemas de acesso a crédito. Fazemos parte de uma equipe muito integrada e vamos continuar trabalhando dessa forma. As duas instituições oficiais são as duas pontas desse processo que vai irrigar recursos para os exportadores neste momento de crise de financiamentos no exterior."

De acordo com o ministro, o governo brasileiro está muito atento à crise no mercado financeiro global. "Talvez não tenha ocorrido, nunca antes na história deste País, de o governo estar tão unido e acompanhando tão de perto movimentos como esses que têm ocorrido. Não só acompanhando de perto, mas tomando medidas", comentou. "Temos medidas (a adotar), sabemos o que fazer. O Banco Central está atento e atuará sempre que for preciso para garantir o crédito à exportação e às empresas."

Bancos

Miguel Jorge afirmou que, além dos recursos do Tesouro e reservas cambiais oferecidos pelo governo, o setor financeiro privado deveria contribuir para liberar recursos para que as empresas pudessem ter pleno acesso a financiamentos. "Os bancos deveriam parar de conter a liquidez, pois estão segurando dinheiro de crédito. Eles poderiam ser um pouco menos conservadores", disse à Agência Estado .

Questionado se o conservadorismo dos bancos deveria ser reduzido com a diminuição de compra de títulos públicos e normalização do repasse de crédito às empresas, o ministro foi categórico. "Exatamente, entre outras coisas", comentou. Miguel Jorge não quis entrar em detalhes sobre essas "outras coisas", mas disse que "a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) é o melhor lugar para perguntar isso."

Dólar

Miguel Jorge afirmou que o atual nível do câmbio, que atingiu hoje R$ 2,30, pode ser um componente relevante para o País diminuir as importações. "Talvez não precisemos importar tanto neste momento. Um dólar alto vai ajudar os exportadores, e claro que vai trazer um problema para as nozes e castanhas de Natal, mas não avaliamos que isso seja um grande problema para o País", comentou.

O ministro ressaltou que o câmbio menos apreciado elevará os custos da compra de máquinas e equipamentos fabricados no exterior. "Claro que ficará um pouco mais caro, mas isso pode ajudar a indústria nacional de bens de capital, que inclusive está produzindo muito bem", comentou. "Talvez a gente possa substituir mais um pouco do que estava sendo importado de máquinas e equipamentos por produtos nacionais".

Estímulo à indústria

O ministro afirmou ainda que, com a crise financeira internacional, o País precisa estimular a indústria nacional. "Os níveis de ocupação da indústria estão aumentando. Um dos nossos desafios é aumentar a capacidade de produção de veículos para 5 milhões de unidades em 2011. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior trabalha em estrito contato com o setor automotivo no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo lançada em maio."

Miguel Jorge ressaltou que não faltará financiamento aos exportadores das empresas que estão ampliando a Formação Bruta de Capital Fixo no País e aumentando a capacidade produtiva. "Precisamos manter os investimentos previstos. O próprio presidente da República garantiu isso. Não só os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas também os da iniciativa privada, que estão dentro do plano de desenvolvimento produtivo."

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