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A mídia e líderes empresariais de Dubai apoiaram os esforços do emirado para administrar a crise de dívida, dizendo que os temores sobre os problemas foram exacerbados. A crise começou na quarta-feira, quando Dubai, um dos sete Emirados Árabes Unidos, pediu o adiamento do pagamento da dívida do conglomerado Dubai World e de seu braço imobiliário Nakheel, responsável pela construção das ilhas que atraem celebridades e milionários.

Riad Kamal, presidente-executivo da Arabtec, disse não ter dúvidas sobre o compromisso de Dubai de pagar sua dívida. "É preciso dar tempo para Dubai reestruturar sua dívida. Não vou perder meu sono por causa disso", afirmou. "Estou bem calmo. Dubai nunca declarou moratória e não irá declarar", disse Khalaf Al Habtoor, presidente do Al Habtoor Group. "Estou confiante de que o governo honrará os compromissos e ajudará as empresas."
Um executivo do Emirates NBD, um dos maiores bancos da região, também procurou atenuar o tamanho do problema, dizendo que "não há nada com que se preocupar". Já o presidente da empresa aérea Emirates, o xeque Ahmed bin Saeed Al-Maktoum, disse ao londrino Sunday Telegraph estar chocado com a queda dos mercados globais. "Dubai vai sair disso, como vamos também", acrescentou.

Em editorial, o jornal Khaleej Times afirma que "a necessidade de reestruturar a Dubai World é real e a decisão de ir em frente com isso indica maturidade da parte dos tomadores de decisão do emirado". O Khaleej Times defendeu o governo de críticos que disseram que o anúncio feito antes de um feriado religioso de quatro dias prejudicou a credibilidade e a transparência do emirado. "O momento do anúncio de um possível adiamento de seis meses do pagamento da dívida pode ser debatido pelos mercados, mas não a intenção por trás dele", afirmou o jornal.

Algumas autoridades bancárias e investidores acreditam que o anúncio da reestruturação do Dubai World provocou um efeito desproporcional. "A crise em si foi exagerada. Ela é muito localizada em um setor e em um grupo. Ela foi elevada a uma questão maior", disse Suresh Kumar, presidente-executivo do Emirates NBD capital.

O Ajman Bank, um dos menores bancos dos Emirados Árabes Unidos, divulgou um comunicado no qual afirma que mantém planos de abrir uma agência em Dubai ainda neste mês.

Alguns executivos de bancos internacionais também deram apoio a Dubai. Michael Geoghegan, presidente-executivo do HSBC, afirmou em comunicado no fim de semana estar "confiante de que Dubai e os Emirados Árabes Unidos superarão qualquer questão de curto prazo que enfrentem - que parecem ter sido em parte alvo de sensacionalismo - e continuarão a fornecer as bases para o crescimento sustentável".

Mounir Husseini, presidente-executivo do Deutsche Bank no país, disse em comunicado que "está claro para mim que o comando de Dubai, com apoio de Abu Dabi, está comprometido em tomar as medidas certas".

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