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Chanceler alemã afirmou que países também devem "olhar para medidas protecionistas unilaterais"

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A chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, rebateu nesta segunda-feira as c ríticas feitas nos últimos dias pela presidente Dilma Rousseff , sobre uma suposta manipulação cambial promovida pelos países da zona do euro, chamada pela líder brasileira de "tsunami financeiro".

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Merkel respondeu a presidente brasileira durante a cerimônia de abertura da CeBIT, feira anual de tecnologia realizada em Hannover, onde Dilma também discursou.

Na semana passada, Dilma havia chamado a decisão do BCE de elevar em 530 bilhões de euros os empréstimos a juros baixos aos bancos da região de "tsunami financeiro" . A presidente disse que a ação desvalorizaria o euro e aumentaria o fluxo de divisas para os países emergentes, tendo como consequência a valorização de moedas como o real. O real forte é uma das principais preocupações do governo e do empresariado, por diminuir a competitividade das exportações brasileiras.

Em um discurso na CeBIT, que neste ano tem o Brasil como país-parceiro, Merkel afirmou que "Dilma manifestou sua preocupação com o tsunami de liquidez" e observou que é preciso "olhar para medidas protecionistas unilaterais". O Brasil vem sendo criticado pela adoção de supostas medidas protecionistas , como o recente aumento de impostos de carros importados, além de outras ações para combater os efeitos negativos da valorização excessiva do real.

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Merkel, que discursou logo após a presidente brasileira, disse que teria a oportunidade de conversar com Dilma sobre a questão no encontro que elas teriam ainda na noite desta segunda-feira, logo após um jantar na abertura da CeBIT.

"Acho que a confiança é o caminho que devemos trilhar para sairmos da crise", afirmou a premiê alemã. "Nós alemães estamos conscientes de que temos que olhar para além das nossas fronteiras", disse.

Inclusão digital

Apesar de ter voltado a manifestar suas críticas às políticas adotadas pela Europa no combate à crise em uma entrevista à imprensa brasileira no início da tarde desta segunda-feira, Dilma evitou o tema em seu discurso na abertura da CeBIT e dedicou sua fala a abordar o avanço do setor de tecnologia do Brasil e às oportunidades criadas pela parceria estratégica entre o Brasil e a Alemanha

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Segundo a presidente brasileira, seu governo vê a inclusão digital como um instrumento de combate à exclusão social. Para Dilma, as novas tecnologias de informação oferecem possibilidades de acesso ao conhecimento e por isso "não podem ser benefício de poucos". "A exclusão digital acentua a exclusão social e acirra ainda mais as desigualdades já existentes", afirmou.

"Por isso, em simultâneo às políticas de combate à pobreza e à desigualdade social, o Brasil fez uma opção clara nos últimos anos por universalizar o acesso a essas tecnologias e estimular seu desenvolvimento no país", afirmou Dilma.

A presidente brasileira elencou em seu discurso questões como a estabilidade financeira, a economia em expansão e o processo de ampliação da classe média como possíveis atrativos a investimentos no setor de tecnologia no Brasil.

O governo brasileiro vê a participação de destaque na CeBIT deste ano como uma oportunidade de propagar a imagem do Brasil como um importante mercado produtor e consumidor de tecnologia. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o Brasil é hoje o sexto maior mercado de tecnologia e comunicações do mundo, mas ainda tem exportações tímidas no setor, já que a maior parte da produção no país atende ao consumo interno.

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