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SÃO PAULO - A virada das bolsas americanas para o campo negativo, aliada à forte venda dos papéis da Petrobras, da Vale e da BM&FBovespa, exerce peso representativo sobre a trajetória negativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta tarde

SÃO PAULO - A virada das bolsas americanas para o campo negativo, aliada à forte venda dos papéis da Petrobras, da Vale e da BM&FBovespa, exerce peso representativo sobre a trajetória negativa da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta tarde. O Ibovespa chegou a recuar mais de 2% e a perder a linha dos 69 mil pontos, mas agora conseguiu reduzir uma parte da queda. Além dos menores preços das commodities, analistas explicam que estão em pauta as medidas do governo para impedir que os estrangeiros "driblem" o pagamento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investir no Brasil. Um movimento vendedor puxado principalmente pelos não residentes estaria provocando a queda da Bovespa. Por volta das 16h40, o Ibovespa recuava 1,50%, para 69.349 pontos, e girava R$ 5,61 bilhões. O índice caiu mais de 2% na mínima do dia e atingiu 68.951 pontos. Em Wall Street, as bolsas também diminuíram as perdas e, minutos atrás, o índice Dow Jones recuava 0,10%, o S&P 500 cedia 0,26% e o Nasdaq tinha desvalorização de 0,50%. De volta ao cenário local, entre as ações de maior peso no dia, Petrobras PN cedia 3,00%, a R$ 24,24, enquanto Vale PNA recuava 2,19%, para R$ 48,22, e BM&FBOvespa ON tinha desvalorização de 3,48%, a R$ 13,59. "A virada dos mercados pode ser em parte atribuída à valorização recente. No Brasil, também estão pesando as últimas medidas do governo relacionadas à tributação de IOF, já que, embora não afetem diretamente o mercado de renda variável, elas podem ser uma sinalização de que novas decisões poderão vir", afirmou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. "Boa parte desta realização deve ser de estrangeiro." Duas das medidas adotadas pelo governo são resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) para impedir que bancos com operação local emprestem ativos aos estrangeiros para uso como garantias e também tributar ativos dos estrangeiros que já estejam no Brasil e que sejam convertidos para uso como margem na bolsa. Adicionalmente, o BC determinou que a BM&FBovespa vede a utilização de carta fiança obtida pelos estrangeiros em bancos brasileiros para uso como garantias em operações de derivativos. "O medo dos investidores está relacionado ao próximo passo para as operações na BM&F. Se as medidas não surtirem efeito sobre o dólar, o que será feito? O temor no mercado é de uma nova regulamentação no setor", observou o operador da Um Investimentos Paulo Hegg. Além dos papéis da BM&FBovespa, figuravam, há pouco, entre as maiores baixas do Ibovespa os papéis Eletrobras PNB (-3,71%, a R$ 28,02), Rossi ON (-4,97%, a R$ 16,25) e MRV ON (-3,47%, a R$ 16,41). Já as principais valorizações do Ibovespa partiam de Fibria ON (5,21%, a R$ 28,22), Natura ON (2,67%, a R$ 48,77) e Ultrapar PN (2,20%, a R$ 104,54). (Beatriz Cutait | Valor)

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