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Segundo analistas, quem manda nas cotações é a Arábia Saudita e a cotação do petróleo não deve variar muito

Uma vitória dos rebeldes na Líbia deve ter impacto limitado nos preços do petróleo no mercado internacional. Segundo analistas, a resolução do conflito no país africano, que já dura seis meses, pode até trazer ligeira queda nas cotações, mas não terá efeito em outros mercados, como dólar e ações.

Quando o assunto é Líbia, os especialistas pensam e oferta e demanda de petróleo. E são essas contas que limitam o poder do fim do conflito sobre o mercado. “O grande negociador de petróleo é a Arábia Saudita, não a Líbia”, disse Alexandre Rangel, sócio de consultoria da Ernst & Young Terco. De acordo com ele, o país é o único que consegue, atualmente, influenciar nas cotações da commodity.

Petróleo. Quem manda nas cotações é a Arábia Saudita, dizem analistas
Selmy Yassuda
Petróleo. Quem manda nas cotações é a Arábia Saudita, dizem analistas
“Há uma perspectiva positiva para o fim do conflito no mercado de petróleo, mas não há certeza sobre queda de preços”, diz Álvaro Bandeira, diretor da Ativa Corretora. Segundo ele, a Arábia Saudita já disse que reduzirá sua própria produção se a Líbia voltar à ativa, garantindo os preços.

A Líbia, segundo a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) tem a sétima maior reserva de óleo do mundo, a maior da África. Mas essas reservas correspondem a apenas 3,9% do grupo. Em exportações, era o décimo segundo maior. O petróleo vendido pelos líbios é de alta qualidade, ou seja, precisa de pouquíssimo refino para se transformar em derivados, como a gasolina.

Um outro ponto que limita a queda de preços que ocorreria com o fim dos conflitos, diz Erik Scott Hood, analista da SLW, é que a retomada da produção na Líbia deve ocorrer aos poucos, com efeitos diluídos ao longo do tempo. Quando paralisou sua produção no começo do conflito, em fevereiro, a Líbia produzia 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. A Venezuela, país da Opep com a maior reserva, produz 2,5 milhões de barris por dia.

“A questão não é tão simples assim. Não há muitas indicações de que o conflito se resolverá logo”, diz Lika Takahashi, coordenadora de análise da Fator Corretora. Mas ela diz que, se os rebeldes vencerem, a retomada total de produção pode demorar até três anos. Com isso, quedas de preços, se ocorressem, seriam graduais.

Com todas essas atenuantes, o impacto acaba ficando reduzido. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal calcularam que a parada na produção da Líbia acrescentou entre US$ 10 e US$ 15 ao barril de petróleo Brent, negociado em Londres e o mais usado como parâmetro pelo mercado. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent fechou cotado em US$ 109,9 o barril. A alta desde o começo de fevereiro, mês em que os problemas começaram, é de 8,3%. No começo daquele mês, o barril valia US$ 101,4.

Rangel, da Ernst & Young, acredita até que a tendência, apesar da Líbia, é de alta nas cotações. “O impacto da Líbia já está nos preços do petróleo, que devem continuar em alta, já que a demanda está forte.”

Petrobras

Os analistas também não vêem impacto para os negócios da Petrobras, que tem um sistema próprio de precificação e vende quase todo o petróleo que produz no mercado interno. Além disso, as operações que a estatal possui na Líbia ainda não produzem.

A Petrobras está na Líbia desde janeiro de 2005, quando venceu a primeira rodada de licitações da empresa estatal National Oil Corporation da Libia (NOC). Comprou os direitos exploratórios de óleo e gás e de partilha de produção da área 18, constituída de quatro blocos, com uma extensão total de 10.307 mil quilômetros quadrados.

A área está situada na região noroeste da Costa Líbia, no mar mediterrâneo, com profundidade de água variando de 200 a 700 metros. A Petrobras é a operadora do consórcio que atua na exploração do bloco, detendo uma participação de 70%.

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