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Presidente do BNDES diz que europeus demoraram a agir. Mas acredita que impacto no Brasil será pequeno

Mais atento do que nunca aos movimentos da economia mundial - agora que o Brasil está criando uma agência de fomento à exportação sob sua responsabilidade, o Exim Brasil - o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, avalia que "a União Europeia está brincando com fogo, dando moleza para o azar, chegando perto de uma coisa que pode ser catastrófica".

Segundo ele, os europeus demoraram a agir na Grécia e deveriam tomar medidas mais enérgicas para estancar a crise, que pode contaminar outros países. No Brasil, contudo, o impacto tende a ser pequeno.
"Ontem a Bovespa caiu 2,3% (num certo momento caiu 6%), mas a Bolsa de Nova York caiu 9%. O Brasil está muito bem, a crise afeta todo mundo mas não tem um efeito tão grave aqui", afirmou Coutinho ao iG.

Para ele, a crise grega foi causada por irresponsabilidade não apenas do governo grego, mas também do sistema bancário, que "financiou o governo grego numa extensão inacreditável". E tudo, acrescentou, financiado durante anos a fio, gerando uma dívida monstruosa. "É uma crise preocupante, primeiro por causa da dificuldade de solução. A crise grega é real, um exagero de dívida e irresponsabilidade, e uma irresponsabilidade sistêmica, múltipla."

A solução para a crise na Grécia passa por cortes profundos, que exigiriam sacrifício violento, com mudanças estruturais. E também o refinanciamento da dívida, esticando-a para reduzir o tamanho da prestação e o impacto sobre a economia grega. "Chega-se numa situação dolorosa porque o tamanho do ajuste a ser exigido na Grécia - teria que gerar um superávit fiscal enorme, um ajuste brutal que nesta escala pode deprimir a economia de maneira tremenda". "É mais do que devido um apoio maior, decisivo à Grécia", afirmou.

Para Coutinho, se o pacote de ajuda tivesse chegado três meses antes, poderia ter evitado tanta ansiedade nos mercados. "Oferecido agora, depois de tanta ansiedade, depois de tanto pessimismo, tem a percepção de que ele não é suficiente", disse. "Aí vem o medo de contaminação de Irlanda, Portugal, Espanha, que seria o mais grave, embora a Espanha tenha mercado interno cativo de rolagem da dívida pública espanhola muito maior", completou.

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