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Comissão Europeia faz novas críticas à política cambial chinesa e reforça pedido de maior flutuação da moeda

A Comissão Europeia manifestou hoje o temor de que o euro supervalorizado possa afetar negativamente a recuperação econômica.

"Achamos que o euro está suportando uma carga desproporcional no ajuste das taxas de câmbio" das divisas mundiais, o que "poderia afetar a recuperação econômica da zona do euro", assinalou o porta-voz de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Amadeu Altafaj.

Altafaj criticou a China ao afirmar que "há um amplo consenso de que a divisa chinesa está subvalorizada", motivo pelo qual a UE pediu a Pequim durante esta semana, em uma série de reuniões de líderes em Bruxelas, que permitisse uma maior flutuação de sua moeda.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, pediu ontem em Bruxelas que a União Europeia pare de exercer "pressão" para apreciar a divisa chinesa, já que isso poderia causar uma crise no país asiático e, consequentemente, um "desastre" na economia mundial.

O comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, explicou hoje que a UE não pressiona Pequim, já que "não é com pressão exterior que vamos conseguir que apreciem sua divisa".

"Está claro que eles subvalorizam sua moeda, mas essa não é a única explicação do enorme nível de exportações deles e do nosso elevado déficit comercial com a China", acrescentou Gucht durante entrevista coletiva.

Altafaj reforçou a esperança comunitária de que as autoridades de Pequim "apliquem o compromisso de 19 de junho", quando da promessa de permitir uma maior flutuação de sua divisa.

O comércio da UE com a China triplicou entre 2000 e 2009, período no qual o déficit comercial europeu com o gigante asiático passou de 49 bilhões de euros para 133 bilhões de euros, chegando ao nível máximo de 170 bilhões em 2008 (ano da explosão da crise).

Os comentários divulgados hoje foram precedidos por advertências do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Governo dos Estados Unidos, que avaliam que os países emergentes podem prejudicar sua própria recuperação e a do resto do mundo se persistirem em frear a valorização de suas moedas.

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