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Empresas do mercado interno são preferidas. Variedade aumenta e as nove casas pesquisadas recomendam 46 ações diferentes

A inflação voltou a ser o foco das recomendações de ações em junho. Mas, ao contrário de abril, quando os analistas tentaram incluir em suas carteiras papéis que se beneficiariam da alta de preços ou ofereceriam proteção, o foco agora é um cenário com trégua temporária.

A diversificação vista nos portfólios de maio se ampliou em junho. Os nove bancos e corretoras consultados recomendam nada menos que 46 ações diferentes. A representatividade da mineradora Vale também diminuiu. Agora, a empresa divide o topo das preferências em pé de igualdade com Petrobras e Itaú Unibanco – das nove casas, cinco recomendam esses papéis.

Mês difícil

Se maio foi um mês difícil, os relatórios com perspectivas não trazem novidades muito alentadoras para junho. Em seus relatórios, Banif e Bradesco dizem ter uma visão negativa para o mês. Os principais pontos de estresse, segundo os bancos, estão no exterior. O Banif cita como razões negativas evidências maiores de uma desaceleração da economia dos EUA, problemas que parecem mais sérios no que diz respeito à dívida grega e sinais de desaquecimento econômico da China.

Já a notícia boa vem do Brasil. Apesar de citarem ceticismo do mercado com a sustentabilidade da redução no ritmo de alta dos preços, ambas as instituições comentam a possibilidade de trégua no curto prazo como motivo para investir. “Acreditamos que um gatilho pode ser a melhora dos indicadores de inflação, que deve ocorrer por razões sazonais e estatísticas”, diz o Bradesco BBI. O Banif, por sua vez, lembra que a maioria das projeções para a inflação de junho se aproxima de zero.

Segundo o Banif, pesquisa sobre expectatuvas de inflação do mercado está no momento em 0,06% para o IPCA. O banco considera a queda forte, já que vem de um nível mensal de 0,8% para perto de zero. “À medida que dados reais sejam divulgados confirmando essa expectativa de baixa inflação, nós prevemos que um otimismo crescente vai fazer o mercado subir, algo que ficará evidente ao redor da terceira semana do mês, com a divulgação das prévias dos índices de inflação no varejo de junho.”

“Se esse cenário positivo local que prevemos se confirmar, acreditamos que ele terá maior influência no mercado local que o cenário internacional mais sombrio, levando a uma recuperação dos preços locais”, continua o Banif. “Uma vez que a inflação tem sido o fator econômico mais importante a ser monitorado, uma redução em seu ritmo seria determinante para uma onda de otimismo.”

O HSBC diz que esse período de trégua da inflação, no curto prazo, reforçará o discurso das autoridades monetárias do país de que a mesma está convergindo para a meta, reduzindo, assim, o risco de adoção de novas medidas macroprudenciais no momento. “Dessa forma, aumentamos exposição nos setores de consumo, varejo e bancos, que possuem bastante exposição ao mercado interno e poderão ser beneficiados desta conjuntura no curto prazo. Analogamente a este cenário, reduzimos a exposição aos setores com proteção contra inflação.”

Itaú

As ações do banco se destacaram nas recomendações de junho, dividindo espaço com as sempre presentes Vale e Petrobras. Em seu relatório, a UM Investimentos diz que o resultado operacional do banco, referente ao primeiro trimestre de 2011, superou as expectativas. O destaque positivo ficou, segundo a casa, com o retorno sobre o ativo de 23,4%, superando as expectativas do mercado que apontavam para 23,1%.

Outro fator que beneficia o banco, segundo a UM, são recentes sinalizações, por parte do Banco Central, de um foco por período de aperto monetário mais prolongado. “Historicamente empresas do setor bancário apresentam boas performances em períodos de aperto monetário.”

Ações recomendadas de junho
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Ações recomendadas de junho

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