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Objetivo é evitar risco a empresas que pegam recursos em dólar e evitar entrada de capital especulativo

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O governo vai lançar, até o final do mês, um novo título da dívida externa brasileira que paga rendimento aos investidores em reais. O bônus que será oferecido terá um prazo de vencimento de aproximadamente 10 anos, o que ajudará a estratégia do governo de fazer com que as captações de dinheiro lá fora tenham prazos mais longos. Além disso, o lançamento do papel abrirá espaço para que as empresas peguem recursos no exterior sem correr o risco de uma variação brusca do dólar.

Segundo o Grupo Estado apurou, a estratégia de oferta desse papel está em linha com a intenção do governo de criar dificuldades para a entrada de capital especulativo no País e, ao mesmo tempo, incentivar o alongamento dos prazos dos empréstimos tomados lá fora.

A cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre os empréstimos externos com prazo de até cinco anos, anunciada ontem pelo Ministério da Fazenda, afeta não só os financiamento, tradicionalmente tomados pelas empresas em bancos, como também a emissão de títulos por essas companhias.

A expectativa do Tesouro Nacional, órgão responsável pela administração da dívida em títulos do governo, é encontrar uma "janela de oportunidade" para vender o papel nas próximas semanas. O título que será oferecido deve vencer apenas em 2024.

O rendimento que o governo definir como pagamento para os investidores que comprarem o novo título será usado como referência para as empresas que decidirem, no futuro, pegar dinheiro lá fora com a venda de bônus com o mesmo prazo de vencimento do papel do governo.

Ao longo do ano passado e início deste ano, o Tesouro tentou vender títulos com rendimento em reais no exterior, mas não conseguiu. A oferta desse tipo de papel é mais difícil de ser feita porque poucos investidores operam com esse tipo de bônus e por conta das condições peculiares que são necessárias, como baixa volatilidade da taxa de câmbio.

O Tesouro estima uma oferta entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. Se isso for feito, o Tesouro acredita que estará "abrindo uma porta" para as empresas captarem também em reais. A última captação do Tesouro usando um título atrelado ao real foi em 2010. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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