Tamanho do texto

SÃO PAULO - O tom positivo que marcou a abertura da semana não se repetiu na terça-feira

. Os acontecimentos na zona do euro centraram as atenções e não agradaram, principalmente o baixo crescimento alemão no segundo trimestre e a falta de ações práticas após o encontro entre França e Alemanha. Uma das propostas que surgiu da reunião foi a criação de um imposto sobre transações financeiras na região. Sobre a emissão de um eurobônus, garantido conjuntamente, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, falou que esse seria o último passo no processo de integração europeia. O noticiário pouco amigável e o espaço para um ajuste de baixa depois dos ganhos recentes resultou em queda nas bolsas de valores. No câmbio, a movimentação foi fraca tanto aqui quanto no mercado externo. No mercado de juros, as taxas voltaram a apontar para baixo. Em Wall Street, o Dow Jones terminou com queda de 0,67%, a 11.405 pontos, o S&P 500 cedeu 0,97%, a 1.192 pontos. A bolsa eletrônica Nasdaq se desvalorizou 1,24%, a 2.523 pontos. Perdas, também, no mercado de commodities. O barril de petróleo do tipo WTI fechou com baixa de 1,4%, a US$ 86,65. Quem subiu foi o ouro, fazendo nova máxima histórica a US$ 1.785 a onça em Nova York. Bovespa A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou em baixa da abertura ao fechamento e, assim, encerrou uma sequência de cinco pregões seguidos de alta, que resultou em ganho de 12%. O Ibovespa encerrou o pregão com baixa de 0,60%, aos 54.323 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,913 bilhões, o menor em duas semanas. "Fomos influenciados pelo desempenho ruim da Europa. A Alemanha é quem tem conseguido segurar a zona do euro, mas esses dados sozinhos não são suficientes para determinar todo o rumo do mercado", avaliou o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger. Para ele, os agentes tanto aqui quanto no exterior estão aproveitando o momento para realizar parte dos ganhos dos pregões dos últimos dias. Câmbio Depois de forte ajuste de baixa na segunda-feira, o mercado de câmbio teve um pregão morno. O dólar comercial passou a maior parte do dia estável, até fechar com alta de 0,06%, a R$ 1,592 na venda. Antes disso, a divisa subiu a R$ 1,605 e caiu a R$ 1,586. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto teve valorização de 0,02%, para R$ 1,59. O volume negociado no dia somou US$ 67 milhões, contra US$ 79,25 milhões na segunda-feira. Também na BM&F, o dólar para setembro recuava 0,03%, a R$ 1,5975, antes do ajuste final. No câmbio externo, o dia também foi de pouca movimentação. O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, apontava leve alta de 0,10%, enquanto o euro perdeu cerca de 0,20%, a US$ 1,44. Movimentação mais firme apenas com o franco suíço, que continuou perdendo para o dólar em meio a rumores de novas intervenções. Como notou o gerente de operações da Banif Corretora, Arnaldo Puccinelli, o mercado parece "sentado em cima do muro" depois da forte instabilidade observada na semana passada. Na visão do especialista, quem estava preparado para uma piora realizou lucros e quem estava comprado zerou suas posições no desespero. Fica a expectativa, agora, sobre qual será o próximo evento que vai "derrubar" os agentes do muro e para que lado eles vão cair. Juros Futuros Os contratos futuros ensaiaram movimento de correção, mas voltaram a perder prêmio de risco na BM&F. O mercado tentou uma correção técnica, levando os prêmios para cima, mas a piora de humor externo barrou o movimento, segundo o sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. As taxas americanas, que rondavam a estabilidade, voltaram a cair depois que os líderes da França e Alemanha não apresentaram soluções práticas para lidar com a crise de endividamento na zona do euro. Avaliando a curva futura, Petrassi nota uma "briga" entre operadores e economistas. Enquanto as taxas sugerem corte da Selic ainda em 2011, os economistas mantêm a visão de estabilidade do juro básico em 12,50% ao ano. "Dependemos de uma variável externa, algo que não controlamos", disse Petrassi. Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 subia 0,01 ponto percentual a 12,39%. Outubro de 2011 apontava estabilidade a 12,37%. Novembro de 2011 marcava 12,34%, alta de 0,02 ponto. E janeiro de 2012 projetava 12,28%, sem alteração. Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013, o mais líquido do dia, apontava baixa de 0,02 ponto, a 11,86%, depois de subir a 11,95%. Janeiro de 2014 registrava desvalorização de 0,04 ponto, a 11,81%. Janeiro de 2015 tinha queda de 0,08 ponto, a 11,83%. Janeiro de 2016 caía 0,07 ponto, também a 11,83%. E janeiro de 2017 projetava 11,80%, perda de 0,09 ponto. Até as 16h10, foram negociados 870.830 contratos, equivalentes a R$ 74,03 bilhões (US$ 46,39 bilhões), o dobro do registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2013 foi o mais negociado, com 279.803 contratos, equivalentes a R$ 23,97 bilhões (US$ 15,02 bilhões). No mercado externo, a taxa de retorno dos papéis de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos apontava baixa de 0,08 ponto, a 2,21%. O título para 30 anos perdia 0,12 ponto, a 3,67%. (Eduardo Campos | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.