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Investidores estão nervosos e temem que moratória contamine bancos e outras economias europeias. Dólar subiu 0,63%, a R$ 1,610

O medo de que a Grécia declare moratória de sua dívida está deixando os mercados nervosos em todo o mundo. No Brasil, não foi diferente, e o Ibovespa fechou em queda de 1,17%, cotado em 60.880 pontos. Trata-se do menor nível em quase um ano: desde 5 de julho de 2010, quando o índice atingiu os 60.865 pontos.

Analistas e operadores de bolsa no Brasil estão nervosos. “A coisa está feia. O nível de estresse quase se compara aos momentos anteriores à quebra do Lehman Brothers”, disse o chefe de análise da SLW, Pedro Galdi, referindo-se ao fato que foi o estopim da crise financeira mundial de 2008.

Os especialistas comentam que alguns problemas descobertos e originados na crise parecem não se resolver. “Os Estados Unidos não engatam a segunda marcha, o Japão vai mal, após o terremoto”, comenta Galdi. Não bastassem esses problemas, todos temem que a crise de Grécia contamine bancos e outros países europeus.

Em maio, os ministros de Finanças da zona do euro decidiram que a Grécia receberá 110 bilhões de euros em ajuda internacional entre 2010 e 2012, sendo que 80 bilhões de euros sairão do bolso dos países que utilizam a moeda europeia. Para alguns operadores, a quantia pode ser insuficiente.

Ontem, a Moody's Investors Service colocou os ratings de força financeira, de depósito e da dívida de longo prazo dos bancos franceses Crédit Agricole, BNP Paribas e Société Générale em revisão para possível rebaixamento por causa da exposição deles à crise da dívida da Grécia. "As ações de hoje refletem as preocupações da Moody's sobre as exposições dos bancos à economia grega, por meio de detenções diretas de bônus do governo ou crédito direto ao setor privado grego ou por meio de subsidiárias operando na Grécia", comentou em nota. A agência notou que a "magnitude e composição das exposições diferem substancialmente" entre os bancos em questão.

Os especialistas afirmam que a agravante de hoje é a falta de apoio ao primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, para poder reformar o governo e tentar aprovar a segunda rodada de medidas de austeridade exigidas pelos credores internacionais, evitando uma moratória de dívida. Ele enfrenta o descontentamento da população sobre o aperto, que gerou protestos violentos, e pediu voto de confiança a sua equipe econômica.

No Ibovespa, as maiores quedas ficaram com B2W (-4,40%), Brasil Telecom (-3,6%), Gol (-3,35%) e Redecard (-3,33%). As altas mostram busca por proteção e foram de ações com fluxo de caixa estável e receitas locais, como elétricas: Copel (2,65%), Sabesp (2,16%) e Light (2,12%).

Dólar

A incerteza sobre a crise na Grécia valorizou o dólar pelo segundo dia seguido nesta quinta-feira, em uma sessão com pouco volume no mercado à vista e alta liquidez e ajustes de posições no futuro. A volatilidade até afastou investidores que poderiam estar interessados na alta do dólar, como exportadores, de acordo com profissionais de mercado.

A moeda avançou 0,63%, a R$ 1,610. É a maior cotação de fechamento desde 26 de maio. Na quarta-feira, o dólar já havia subido 1,14%. "Só se fala de problemas lá fora; Europa, Estados Unidos...", disse o gerente da área de derivativos de um banco de investimento com sede no exterior.

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(com agências)

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