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BRASÍLIA - Assim como o Tesouro Nacional, as companhias brasileiras estão aproveitando as taxas baixas e o spread menor para antecipar pagamentos de operações tomadas a taxas mais elevadas, e no longo prazo, no exterior

. De forma que a taxa de rolagem está elevada. Em outubro até hoje, por exemplo, o refinanciamento está em 1,886%, de acordo com o Banco Central (BC). Junto com os investimentos externos diretos, o BC aponta o ingresso de recursos via empréstimos de médio e longo prazos de companhias do setor privado como a segunda grande fonte de financiamento da conta corrente externa deficitária. O déficit este ano deve ser recorde em US$ 49 bilhões, subindo a US$ 60 bilhões em 2011. "Para 2010, o déficit em conta corrente deve ser tranquilamente financiado. E nossa expectativa para 2011 também é positiva, estimando uma taxa de rolagem de 150% e investimentos diretos de US$ 45 bilhões", comentou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Dados da autoridade monetária apontam que de janeiro a setembro, os desembolsos de médio e longo prazos ao setor privado atigiram US$ 44,2 bilhões, bem acima dos US$ 35,8 bilhões de 2009. A taxa de refinanciamento acumulou 214%, no período. "Há muito repagamento de empréstimos tomados a taxas de juros mais elevadas", comentou Lopes. Com a crise mundial, as taxas externas caíram e o Brasil melhorou sua performance, com queda no risco país. O que facilita as entidades tanto públicas quanto privadas anteciparem vencimentos e tomarem crédito externo mais barato, disse o executivo do BC. Neste mês de outubro até hoje, o BC detecta uma taxa de rolagem excepcionalmente alta, de 1,886%. Sendo 2,336% em bônus e notes e 1,467% em empréstimos diretos. A explicação é o volume relativamente pequeno de vencimentos no mês: US$ 44 milhões, ante uma captação total de US$ 2,7 bilhões. (Azelma Rodrigues | Valor)

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