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Presidente do Banco Central afirma que País se destaca por manter controle das contas públicas

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Em mais uma demonstração de alinhamento com o Ministério da Fazenda, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou ontem que o Brasil tem na política fiscal o seu “grande diferencial” para enfrentar os desdobramentos da crise internacional.

Apesar de o lado fiscal ser o maior alvo de críticas do mercado ao governo nos últimos anos, o BC tem enfatizado o apoio dessa política no combate à inflação. E, ontem, Tombini foi além, salientando que, numa crise com origem no descontrole das contas públicas de países avançados, o Brasil está na contramão e tem de manter esse caminho.

“Temos neste momento que confirmar o nosso diferencial, que hoje é ter uma situação fiscal bem arrumada”, disse o presidente do BC, durante seminário promovido pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. “É importante que continuemos nessa toada para que esse diferencial fique cada vez mais marcado em relação à economia brasileira.”

O discurso de Tombini é pautado na tese de que, em um período de crise causada por problemas fiscais, um País que tem superávits primários (economia para pagar juros) significativos e ainda vê sua dívida caindo - e até acentuando essa tendência de queda por conta do impacto favorável da alta do dólar - será olhado positivamente do exterior, atraindo investimentos e ampliando seu potencial de crescimento econômico.


Segundo ele, os países desenvolvidos devem ter crescimento baixo nos próximos anos. E, sem condições de usar a política fiscal, essas nações deverão focar o esforço de recuperação na política monetária - juros baixos por muito tempo. A consequência, segundo Tombini, será uma nova “jornada de liquidez” (oferta de dinheiro) ampla no mundo.

Fed

O Federal Reserve (o BC americano) já avisou que deve manter o juro próximo de zero até meados de 2013. Vale lembrar que o volume elevado de dinheiro circulando no mundo tem sido apontado como fator principal da valorização do real e da alta dos preços de commodities - este último apontado pelo governo como motor da alta da inflação no Brasil.

O presidente do BC lembrou que a instituição vinha alertando para a complexidade do cenário externo, que foi acometido de sucessivos problemas, desde a Primavera Árabe até a crise das dívidas de países europeus.

Segundo ele, o mercado, “anestesiado” pela abundante liquidez, vinha descontando esses riscos. Em outras palavras, com dinheiro sobrando, os investidores estavam fazendo pouco caso das incertezas. Ele destacou ainda que as medidas adotadas pelo governo para trazer a inflação de volta ao patamar de 4,5% já começaram a surtir efeito.