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Agência estatal afirma que elevação do teto favorece crescimento global, mas discórdia interna entre norte-americanos pode criar problemas

A situação dos Estados Unidos, que acaba de ser rebaixado pela agência Standard & Poor´s, é uma faca de dois gumes para a China, diz nesta segunda-feira a agência de notícias estatal Xinhua, que cita o “People Daily”, jornal do Partido Comunista chinês. Ainda que no curto prazo a elevação do teto da dívida norte-americana evite uma crise maior, a disputa interna entre republicanos e democratas deverá fazer com que os norte-americanos, no futuro, ignorem os interesses dos seus credores, segundo a agência.

“No curto prazo, os EUA estão evitando um "duplo mergulho" da economia global e reduzindo o risco do mercado financeiro. Isso é propício para um crescimento estável da economia chinesa, porque os Estados Unidos são um dos mais importantes mercados de exportação da China,” afirma a agência. Além disso, a elevação do teto da dívida norte-americana também contribui para a segurança dos ativos chineses em dólares e mantém a taxa de câmbio do yuan estável em relação ao dólar, acrescenta a agência.

No entanto, o jornal mostra que o país está atento ao que vai acontecer em médio e longo prazos. “Apesar de o compromisso de elevar a dívida dos EUA ter retirado a espada de Dâmocles sobre a economia mundial [em referência ao conto de Dâmocles, cortesão que assume a posição do rei por um dia, mas precisa suportar a situação de ter uma espada sobre sua cabeça], o problema do endividamento norte-americano continua sendo um perigo oculto.” Além de elevar o teto da dívida, os EUA se comprometeram em reduzir seu deficit anual nos próximos 10 anos em mais de US$ 3 trilhões, lembra a a mídia chinesa.

“Se os EUA vão cumprir a promessa, isso é o que vamos ver. Os norte-americanos não poderão resolver a enorme dívida por meio de crescimento econômico, aumento de impostos e corte de gastos. Eles vão sofrer com inflação em alta e a depreciação do dólar,” diz a imprensa chinesa.

A preocupação manifestada pelo jornal é que, para pagar suas dívidas e crescer, os Estados Unidos tenham mais problemas domésticos e deixem de lado o respeito aos seus credores. “A disputa entre republicanos e democratas adverte a China que, no longo prazo, os EUA irão ignorar os interesses dos credores para focar nas lutas políticas domésticas.” A China é o maior detentor de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, com cerca de US$ 1,152 trilhão.

Segundo os veículos de imprensa do governo chinês, a situação da China pode piorar se os Estados Unidos tiverem que decidir novamente, no futuro, entre elevar o teto da dívida ou entrar em default. Em seguida, a agência mostra estar ciente de que é provável que seja preciso “mudar o padrão global” de aposta no dólar como ativo seguro, o que requer “ajustes fundamentais no modelo de desenvolvimento econômico.”

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