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Risco Brasil subiu 23,5% semana passada, enquanto alta dos europeus chegou a 62%; indicadores do País são mais sólidos

Quando o assunto é risco País, pode-se dizer nos últimos tempos que, emergentes, são os outros. O risco País é um indicador que mede quanto se paga de prêmio por títulos de um país na comparação com os títulos do governo dos Estados Unidos, os treasuries. Quanto maior o número, maior o risco.

Na semana passada, os mercados de capitais sofreram um grande estresse. Dúvidas sobre a capacidade de a Grécia pagar suas dívidas, ou de seus problemas contaminarem vizinhos, derrubaram bolsas em todo o globo e provocaram uma fuga para o dólar, que se valorizou.

Como os mercados financeiros estão interligados, o Brasil também sofreu. Seu risco País subiu 23,5%, para 153 pontos, entre os dias 3 e 7 de maio. Pode parecer muito, mas é a situação mais confortável, tanto em nível de pontos, quanto em valorização, entre todos os PIIGS, aqueles europeus que vêm dando sinais de cansaço na caminhada econômica: Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha.

Risco País

Grau de aversão a risco ao Brasil e a alguns países da Europa na última sexta-feira, em pontos

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Santander Brasil

Risco brasileiro subiu, mas é o menor

Nesses países, a aversão a risco do investidor cresceu muito mais, e para níveis muito mais altos. A situação melhor é a da Irlanda, que viu seu risco subir 33%, para 253 pontos. Grécia, o estopim dos problemas, viu sua taxa – já altíssima – subir mais 33,6%, para 965 pontos. Espanha teve salto de 50%, para 239 pontos, e Portugal viu o risco elevado em 51%, para 422 pontos. A Itália, agora, só discute futebol com o Brasil: tem risco de 228 pontos, com alta de 62%. O risco em questão é medido pelos CDS, ou índice de swaps de default de crédito, que funcionam como contratos de seguro contra não pagamento de dívida.

“O risco País é sempre um balanço entre os fundamentos de uma nação e ameaças externas”, diz Cristiano Souza, economista do grupo Santander Brasil. “O Brasil está fazendo a lição de casa: tem uma situação muito estável e deixa o investidor mais tranqüilo.”

Um exemplo da situação econômica mais confortável do Brasil é a relação entre a dívida bruta do país e seu Produto Interno Bruto (PIB). Souza afirma que o débito do Brasil fechou 2009 em 62,8% do PIB. No levantamento, apenas a Espanha estava melhor, com 54,3%. Os demais possuíam situação mais arriscada: Irlanda com 66%, Portugal com 77,5%, Grécia com 112,5% e Itália com 114,5%.

“O Brasil está bem na foto”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “O nível de risco do Brasil em relação à inadimplência externa é desprezível.” Gonçalves afirma que o governo possui US$ 100 bilhões de dívida, ante US$ 250 bilhões de reservas (números de sexta-feira passada). “São valores muito confortáveis.”

Mas não são apenas dados da política fiscal que dão vantagem para o Brasil. A perspectiva de crescimento também conta bastante, diz Souza, do Santander. “Estamos crescendo e eles [PIIGS] não”, afirma. Na visão dele, os investidores estão mais de olho na capacidade de expansão da economia de Portugal e Espanha do que em não pagamento de dívida.

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