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Economia desacelera em junho e tem primeira queda em dois anos e meio

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A queda de 0,26% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em junho , ante maio, deu sinais um pouco mais claros de que a economia brasileira entrou em ritmo de desaceleração e aprofundou a devolução de prêmios hoje nos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros, que projetam as taxas de juros no mercado futuro. De acordo com um economista ouvido pela Agência Estado, soma-se a isso o fato de que as ações de política monetária terão seu maior efeito no segundo semestre, quando as expectativas de inflação para 2012 devem começar a perder força e se aproximar um pouco mais do centro da meta, de 4,5%.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI de janeiro de 2012 (322.975 contratos negociados hoje) projetava taxa de 12,25% ao ano, de 12,29% no ajuste de ontem, enquanto o DI de janeiro de 2013 (353.365 contratos negociados) indicava 11,75% ao ano, de 11,87% na véspera. A projeção do DI de janeiro de 2014, com 197.505 contratos negociados, estava em 11,67% ao ano, de 11,82% no ajuste de ontem. Nos vencimentos longos, o DI de janeiro de 2017 (51.495 contratos) marcava 11,64% ao ano, de 11,80% no ajuste de ontem e o DI de janeiro 2021 (6.070 contratos) indicava 11,60%, de 11,75% no ajuste anterior.

Antes da divulgação do IBC-Br, as projeções dos vencimentos de DI futuro até janeiro de 2012 estavam praticamente estáveis, influenciados pelo avanço acima do previsto do IPC-Fipe, que mostrou variação positiva de 0,41% na segunda quadrissemana de agosto, superando o teto das estimativas do AE Projeções, que era de 0,38%. Os DIs de prazos intermediários e longos mostravam queda desde os primeiros minutos do pregão. Como parte das commodities mostrava recuperação e o IPC-Fipe ficou acima do previsto, houve dificuldade nas mesas de operação para encontrar uma explicação para o recuo das taxas. Segundo um economista, a desistência em pedir aumento de juros por parte de dois membros do Banco da Inglaterra (BOE), devido à piora das perspectivas econômicas, e o aumento dos pedidos de auxílio-desemprego na Inglaterra explicam parcialmente o movimento de baixa na parte longa da curva a termo.

Um outro profissional disse que o mercado está operando sem uma tendência firme, com grande influência das notícias diárias. "Quando saiu o IBC-Br, a devolução de prêmios se aprofundou. Além da visível desaceleração da atividade, o movimento de baixa acabou gerando um pouco de stop loss (ordens de prevenção de perdas), contribuindo ainda mais para o forte fechamento das taxas", avaliou, lembrando que diante deste quadro, o IGP-10, amanhã, e o IPCA-15, na sexta-feira, terão bastante peso para a formação de preço dos DIs.

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