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Sinal mais evidente veio dos EUA, com forte queda no índice de atividade industrial

Os contratos de juros futuros de longo prazo tiveram uma das maiores quedas diárias do ano nesta segunda-feira. A formação de preço seguiu o quadro externo, onde novos indicadores sugerem um ambiente de crescimento econômico menor do que o antecipado.

O sinal mais evidente veio dos Estados Unidos: o fraco crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre se somou a uma queda acentuada no índice de atividade industrial no mês de julho. O ISM industrial caiu 4,4 pontos, para 50,9, pior leitura desde julho de 2009.

Sinais de menor crescimento também na Europa, onde o índice de atividade industrial caiu em julho. Fora isso, a preocupação com o endividamento de países da região voltou a aumentar, o que desagrada as perspectivas de recuperação econômica na zona do euro.

Dentro desse ambiente, a taxa de retorno dos títulos americanos caiu com força. O juro do papel de 10 anos recuou a 2,74%, menor leitura desde novembro do ano passado. Segundo o estrategista de renda fixa da Coinvalores, Paulo Nepomuceno, esses indicadores de atividade mais fraca sugerem inflação mais moderada no futuro, algo que pode ajudar o Banco Central (BC). Mas, diz o especialista, apesar da queda nominal das taxas, a diferença de prêmio entre os diversos vértices se manteve, ou seja, a inclinação da curva não mudou. E ela continua sugerindo algum nervosismo do mercado.

Ainda de acordo com Nepomuceno, em função da agenda externa, que tem dívida americana e europeia na pauta, o mercado se mostra bastante focado no curto prazo. Mas olhando para 2012, por exemplo, os desafios continuam, como o reajuste do salário mínimo e outras indexações que podem deixar a inflação local mais pressionada.

Avaliando os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), Nepomuceno acredita que o ciclo de alta da Selic, iniciado em janeiro, de fato chegou ao fim. A percepção é reforçada pelos acontecimentos recentes no quadro internacional.

Antes do ajuste final de posições na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 apontava estabilidade 12,40%. Outubro de 2011 devolvia 0,01 ponto percentual, a 12,42%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, projetava 12,44%, queda de 0,02 ponto.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 apontava baixa de 0,08 ponto, a 12,62%. Janeiro de 2014 registrava queda de 0,11 ponto, a 12,69%. Janeiro de 2015 tinha desvalorização de 0,14 ponto, a 12,68%. Janeiro de 2016 caía 0,13 ponto, a 12,63%. E janeiro de 2017 projetava 12,58%, também baixa de 0,13 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 695.417 contratos, equivalentes a R$ 59,51 bilhões (US$ 383,26 bilhões), alta de 22% sobre o registrado no pregão anterior O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 231.285 contratos, equivalentes a R$ 22,01 bilhões (US$ 14,15 bilhões).

Dentro do Focus, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estimado para 2011 permaneceu em 6,31%. Para 2012, no entanto, a mediana avançou de 5,28% para 5,30%. A inflação em 12 meses permaneceu em 5,40%, depois de seis semanas seguidas de queda. Dentro do Top Five, grupo que mais acerta, o IPCA para 2011 e 2012 não sofreu alteração, permanecendo em 6,24% e 5,30%, respectivamente.

A previsão para a taxa de juros permaneceu em 12,75%, ou seja, o mercado ainda trabalha com mais uma alta na Selic, que está em 12,50%. Para 2012, no entanto, a mediana cedeu de 12,75% para 12,50%.

O crescimento do PIB em 2011 foi marginalmente revisado para cima, saindo de 3,94% para 3,96%. Para 2012, a mediana permaneceu em 4% de crescimento. Para o câmbio as projeções não mudaram. No fim de 2011, a taxa prevista é de R$ 1,60, e para o encerramento de 2012, a taxa seria de R$ 1,65.

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