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Distribuição de produtos adequados é um dos três desafios apontados por Otávio Yazbek para que o País tenha um crescimento seguro

O sistema financeiro brasileiro precisa melhorar a distribuição de produtos de investimentos para o varejo. Segundo Otavio Yazbek, diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), esse é um dos três principais desafios do mercado brasileiro no cenário pós-crise. Ele disse que o Brasil passou bem pela crise mundial que eclodiu em 2008, mas não pode se acomodar.

Para o diretor da CVM, o mundo ainda vai demorar de 10 a 15 anos para aprender todas as lições da crise. A previsão dele é que os mercados financeiros globais caminhem na direção de uma maior regulação e burocratização. No Brasil, os mercados financeiros já eram bem regulados – em comparação com outros países - e a crise foi menos expressiva, mas é preciso desenvolver o sistema financeiro para que o País tenha um crescimento sem grandes imprevistos.

E o primeiro desafio justamente é criar produtos financeiros adequados e melhorar a distribuição para o varejo. Corretoras, bancos e analistas acreditam que o número de pessoas que vão começar a investir em bolsa de valores e outras modalidades de aplicações nos próximos anos deverá crescer. A preocupação do diretor da CVM é com a “qualidade dos produtos”.

Yazbek lembra que a projeção da BM&FBovespa é ter 5 milhões de pessoas físicas comprando ações até 2014. Hoje, são 600 mil aplicadores. Na opinião dele, é preciso existir maior transparência entre gestores e os investidores. “Temos que repensar se os produtos atuais estão adequados, como os clubes de investimentos, por exemplo”, disse Yazbek durante o Congresso Febraban de Auditoria Interna, Compliance e Gestão de Riscos, em São Paulo.

O segundo desafio é a formação dos preços de ativos nas bolsas de valores. “Temos que ficar de olho nos agentes, principalmente nos participantes que operam grandes volumes, e observar qual papel eles têm e em que grau afetam os preços nas negociações”, afirma. Segundo Yazbek, não há uma medida a ser tomada em relação a este ponto, mas é preciso “olhar com atenção”.

O terceiro e último desafio apontado por Yazbek é a melhora dos registros e controles de dados do mercado de capitais. “Já temos um regime de registros bom, mas temos que ver se cumpre a função de dar transparência permanente”, afirma. Para o diretor da CVM, as informações que já são registradas podem ser usadas para outros fins, como para a sugestão de criação de novos derivativos. “São dados que devem ser discutidos”, afirma.

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