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São Paulo, 26 - O Brasil tem uma das agriculturas mais competitivas do mundo, mas o produtor rural ainda engatinha no que se refere à proteção de preços garantida no mercado futuro

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São Paulo, 26 - O Brasil tem uma das agriculturas mais competitivas do mundo, mas o produtor rural ainda engatinha no que se refere à proteção de preços garantida no mercado futuro. O volume anual negociado de contratos de soja, por exemplo, um dos principais itens do agronegócio nacional, equivale a menos de 10% da safra, estimada em 68 milhões de toneladas em 2009/10. Outro exemplo é o boi. O número de contratos abertos (29 mil) atualmente na bolsa equivale a 580 mil animais, quando o abate mensal fica em torno de 3 milhões de cabeças. Em outros produtos a situação não é muito diferente. O diretor de commodities da BM&FBovespa, Ivan Wedekin, lembra que a estabilização da atividade agrícola ainda é recente, mas os períodos de grande oscilação cambial, volatilidade de preços e crises de endividamento criaram um ambiente favorável, que tornou o produtor mais atento às ferramentas de gerenciamento de risco do negócio. Isso, contudo, ainda não o convenceu a ir para o mercado futuro e de opções. Na tentativa de atrair mais produtores para a bolsa, a instituição dará início na sexta-feira (dia 30) à terceira temporada do programa "BM&FBovespa Vai o Campo". A iniciativa vai abranger sete municípios, começando por Maracaju, em Mato Grosso do Sul. Com palestras sobre oportunidade de investimentos em ações e proteção de rentabilidade e gerenciamento de risco por meio de contratos futuros e opções, a instituição tenta se tornar mais conhecida entre pecuaristas e agricultores, um público reconhecidamente conservador. "Temos a bandeira da popularização do mercado futuro. Esta é uma bola de neve de consciência que vai se formando", afirma Wedekin. Ele, que já foi secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, ressalta que os instrumentos de apoio à renda agrícola criados nos últimos anos têm ajudado a quebrar o gelo. "É natural haver certa desconfiança porque esses são instrumentos mais sofisticados que não estão no dia a dia da maioria dos produtores", pondera. Wedekin lembra, contudo, que o mercado futuro acaba sendo usado de forma indireta pelo produtor como, por exemplo, quando ele fecha um contrato com o frigorífico, que vai à bolsa travar preços da arroba do boi. Vendedores de insumos recebem produto agropecuário como garantia de pagamento e fazem operação no mercado futuro. "O produtor vai ao mercado futuro pela mão da indústria." O mercado de opções pode ser uma porta de entrada. "É um mecanismo mais simples que o contrato futuro e, com ele, o produtor pode fazer hedge (proteção de preço) do mesmo jeito", diz. Este, aliás, é um instrumento que tem sido cada vez mais usado na BM&F. Segundo Wedekin, as opções representavam 4% do volume total de contratos agropecuários negociado em 2009 e, em 2010, essa participação chegou a 14%, um porcentual inédito. No mercado de milho, as opções chegaram a representar 31,8% dos negócios no primeiro semestre deste ano, ante 9% no mesmo período em 2009. Nos EUA, por exemplo, as opções representam entre 30% e 35% do total de negócios. A bolsa não informa quem são os principais negociadores das opções. A terceira edição do programa "BMF&Bovespa Vai o Campo" ocorre em um momento em que os negócios futuros agrícolas ainda tentam se recuperar do baque sofrido em 2009, como efeito da crise econômico-financeira internacional. No primeiro semestre, o volume de negócios envolvendo contratos futuros e de opções aumentou 14,3%, para 1.088.425, ante 952.349 no mesmo período de 2009. Na comparação com os 1.658.257 do primeiro semestre de 2008, contudo, houve recuo de 34,4%.

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