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Impasse na Opep leva o cartel a optar pela manutenção das atuais cotas de produção

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Os preços dos contratos futuros do petróleo voltaram a fechar acima de US$ 100 por barril na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) diante de um impasse na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que levou o cartel a optar pela manutenção das atuais cotas de produção. A decisão contrariou a posição defendida pela Arábia Saudita, país considerado líder do grupo.

"O resultado foi inesperado", disse Alexander Poegl, chefe de desenvolvimento de negócios na consultoria JBC Energy, em Viena. "Eles comunicaram que a Opep - não a Arábia Saudita, mas o cartel - quer se afastar da faixa de preço de US$ 70 a US$ 90 por barril e está satisfeita com os US$ 100 por barril."

A Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico integrantes da Opep defendiam um aumento de 1 milhão a 1,5 milhão de barris na cota diária de produção de petróleo do cartel. Outros componentes do grupo, como o Irã e a Venezuela, foram contrários à proposta, afirmando que a oferta atual da commodity é suficiente.

Os participantes do mercado acreditavam que a proposta saudita prevaleceria e foram tomados de surpresa pela decisão de manutenção das cotas. Diante disso, o contrato do petróleo para julho negociado na Nymex fechou em alta de US$ 1,65, ou 1,66%, a US$ 100,74 por barril, enquanto na plataforma ICE o contrato do petróleo tipo Brent para julho avançou US$ 1,07, ou 0,91%, para US$ 117,85 por barril.

O impacto da decisão da Opep, no entanto, é questionável, visto que há expectativas de que a Arábia Saudita eleve unilateralmente a produção da commodity. Após a reunião do grupo, o ministro de petróleo saudita, Ali Naimi, disse que os países do Golfo Pérsico "vão atender a demanda do mercado" independentemente da decisão do cartel. Duas fontes disseram que os sauditas pretendem elevar imediatamente sua produção diária de petróleo de 9 milhões para 10 milhões de barris.

A Arábia Saudita "disse antes da reunião que fará o que for preciso para aumentar a oferta no mercado", disse Tom Bentz, diretor do BNP Paribas Commodity Futures.

A Opep ainda pode chegar a um novo acordo sobre as cotas de produção nos próximos meses. O ministro de Petróleo do Irã e presidente da Opep, Mohammad Aliabadi, disse que pretende convocar um encontro de emergência antes da próxima reunião do cartel, prevista para dezembro.

Nos EUA, o Departamento de Energia (DOE, na sigla em inglês) divulgou que os estoques norte-americanos de petróleo caíram 4,845 milhões de barris na semana encerrada em 3 de junho, contribuindo para o aumento nos preços da commodity, visto que analistas esperavam um declínio de 400 mil barris. As informações são da Dow Jones.

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