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Apesar das barreiras, gigante norte-americana de cartões afirma estar em fase avançada na montagem de infraestrutura para concorrer com Cielo e Redecard

Getty Images
"Já estamos em estágio avançado na parte tecnológica para operar no Brasil," diz Antonio Bueno, da Tsys no Brasil
Interessada em um mercado que cresce pelo menos 20% ao ano , a Tsys, uma das dez maiores credenciadoras dos Estados Unidos, está determinada a começar a operar no setor de cartões no Brasil. O empenho é observado nos esforços da companhia para driblar as duas maiores dificuldades para a atuação de uma estrangeira: a formação de uma parceria com um grande banco e a montagem de uma plataforma tecnológica adaptada ao mercado local.

Neste momento, a Tsys já está adiantada no desenvolvimento tecnológico, mas ainda está conversando com os bancos para encontrar um parceiro. “Já estamos em um estágio avançado para ter uma plataforma para operar e uma infraestrutura de software com as características do mercado brasileiro,” diz Antonio Jorge de Castro Bueno, responsável pela área de expansão de negócios da Tsys para a América Latina.

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Em relação à parceria com uma instituição estrangeira, o executivo acredita é uma questão de tempo. “Em algum momento, quando tivermos oportunidade, vamos entrar no mercado,” diz. Sem um grande banco, fica mais complicado para o adquirente conseguir conquistar as principais bandeiras, com Visa e Mastercard, uma vez que o banco é que vai aumentar sua capacidade de emissão de cartões e reduzir o risco de concessão de crédito.

A dificuldade é encontrar uma instituição que ainda não seja parceira da Cielo ou da Redecard, as duas líderes do mercado, com mais de 90% de participação. Enquanto o Itau Unibanco é dono da Redecard, Banco do Brasil e Bradesco são acionistas da Cielo, que também tem acordos com HSBC e Safra. O Santander, por sua vez, é parceiro da credenciadora GetNet, que tem cerca de 2,5% de participação no mercado de adquirência. Uma saída para as norte-americanas seria a busca de acordos com bancos médios, na opinião de Pedro Damasceno, sócio da gestora de investimentos Dynamo, que é acionista da Cielo.

Em relação à adequação da plataforma, a maior dificuldade está na complexidade do sistema de pagamentos brasileiro, que exige um sistema ajustada à contabilidade do país e às regras do Banco Central. “O Brasil é muito complexo. Não tem como um software vir de fora adaptado ao sistema do país,” diz Bueno, que acrescenta que a Tsys já superou esta questão.

Atuação em nichos específicos

Assim que conseguir um parceiro e estiver pronta para operar, a Tsys prentede começar por alguns nichos específicos, segundo Bueno. Entre as opções estão os transportes públicos e cartões pré-pagos. “Com uma série de negócios, a empresa buscará um patamar de faturamento que viabilize sua operação,” diz Bueno.

Além disso, ele conta que a empresa está planejando atuar com serviços diferentes. “Não podemos achar que um adquirente lida apenas com crédito,” afirma, sem dar detalhes do que a empresa trará de novo ao Brasil.

Apesar de ser novidade no negócio de adquirência brasileiro, a Tsys já opera no processamento de cartões no Brasil desde 2008, quando fez um acordo com o Carrefour. A empresa já tinha um escritório em São Paulo desde 2005 e, dois anos depois, decidiu vir definitivamente ao país, diz Bueno. Em breve, segundo o executivo, a empresa espera anunciar um novo cliente.

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