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SÃO PAULO - É cedo para saber se as últimas medidas anunciadas pelo governo com objetivo de fechar as brechas encontradas pelos estrangeiros para driblar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terão impacto no mercado de capitais brasileiro

SÃO PAULO - É cedo para saber se as últimas medidas anunciadas pelo governo com objetivo de fechar as brechas encontradas pelos estrangeiros para driblar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) terão impacto no mercado de capitais brasileiro. A avaliação é do presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto."Para saber exatamente o impacto no volume, tanto para balcão, quanto para bolsa, temos de esperar um pouquinho, pelo menos 15 a 20 dias", disse. O diretor-executivo Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores da bolsa, Eduardo Guardia, destacou que a resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciada ontem, que proíbe aluguel, troca ou empréstimo de títulos e valores mobiliários para investidores estrangeiros para operações no mercado de derivativos, atinge não só as negociações em bolsa, mas também o mercado de balcão. Para Guardia, o impacto será limitado porque, segundo ele, o volume de operações no BTC (banco de títulos responsável por negócios com aluguel de ações ) relacionadas à medida representam 5% do volume total. Ontem, o Banco Central também determinou que a bolsa brasileira vedasse a utilização de carta fiança obtida pelos estrangeiros em bancos brasileiros para uso como garantias em operações de derivativos. A modalidade é isenta de IOF. "As cartas de fiança sempre foram muito pouco utilizadas pelo não residente, mas era uma alternativa de driblar, e o governo fechou essa porta", comentou Edemir. Ele afirma que nunca houve aumento da procura por essa modalidade, nem quando o governo começou a anunciar medidas para taxar a entrada de capital estrangeiro. O presidente da bolsa considerou "coerente" o movimento do governo para tornar a cobrança de IOF mais efetiva. "Não estou feliz, até aos olhos do governo não é bom, mas são medidas que ele tem de tomar. Há algo que é mais importante, que é conter o excesso da valorização do real, nesse contexto eu concordo (com as medidas)", avaliou Edemir. O executivo fez questão de ressaltar que as mudanças não vão atrapalhar os planos de expansão e internacionalização previstos pela BM&FBovespa, já que as medidas, em sua avaliação, são apenas "pontuais". No entanto, reconheceu que a taxação do capital estrangeiro pode desestimular as operações de hegde das empresas de fora que estão vindo ao Brasil para fazer investimentos. As declarações foram feitas durante teleconferência para jornalistas. Na última terça-feira, um dia após o Ministério da Fazenda ter ampliado a alíquota do IOF incidente sobre os ingressos externos para mercados financeiros e de capitais de 4% para 6%, a BM&FBovespa também realizou uma teleconferência, mas apenas analistas foram convidados. Edemir atribuiu a "problemas técnicos" o fato de alguns jornalistas que tentaram participar não terem conseguido estabelecer conexão na teleconferência de terça. Segundo ele, havia mais de 300 participantes. (Ana Luísa Westphalen | Valor)?

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