Tamanho do texto

Para analistas, fusão com Carrefour traz ganhos de sinergia e de escala. Nova empresa com ação ON também atrai

Os papéis do Pão de Açúcar, que já subiam antes do almoço, passaram a disparar neste meio de tarde e fecharam em forte alta de 12,64%, cotados em R$ 73,25. O Ibovespa subiu 1,77%, para 62.303 pontos. Os papéis desbancaram Petrobras e fecharam com o segundo maior volume financeiro de todo o mercado à vista: R$ 431 milhões, ou 8% do total. Só perderam para Vale, que girou R$ 492 milhões.

Em Paris, Casino despencou e Carrefour fechou em alta.

Nesta terça-feira, o Carrefour informou que recebeu uma proposta para fundir suas operações com o grupo Pão de Açúcar em uma operação liderada pela Gama, um fundo de investimentos do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na operação, o Pão e Açúcar e o Carrefour vão compartilhar o controle do maior grupo de varejo do Brasil, o terceiro maior em vendas de alimentos do mundo, com faturamento estimado para R$ 70 bilhões para 2011.

Loja do Carrefour em São Bernardo do Campo (SP). Rede pode se unir ao Pão de Açúcar
AE
Loja do Carrefour em São Bernardo do Campo (SP). Rede pode se unir ao Pão de Açúcar
Segundo analistas, apesar do azedamento das relações societárias entre o grupo brasileiro e o francês Casino, a fusão da varejista brasileira com a francesa Carrefour seria positiva, por resultar em largos ganhos de escala, gerando uma companhia com capital original estimado, pelo próprio Pão de Açúcar, em R$ 4,6 bilhões.

O analista Cauê Pinheiro, da SLW, lembra que a companhia resultante da fusão será uma corporação global, e que o negócio terá um ótimo aproveitamento de sinergias. Segundo o fato relevante divulgado pelo Pão de Açúcar ao mercado, estudo da FGV aponta sinergias de R$ 8,4 bilhões. Outro benefício do negócio é a criação de uma empresa apenas com ações ordinárias em Bolsa. Por darem direito de voto, essas ações normalmente valem mais que as PN.

A analista da Ativa Corretora Júlia Monteiro diz que a riqueza de detalhes da operação mostra que há grandes possibilidade de a fusão, de fato, acontecer. "O que ainda não está claro é o que o Casino pode fazer", acrescenta. Para Júlia, apesar da fúria expressa pelo sócio francês sobre o envolvimento do empresário Abílio Diniz com o rival francês Carrefour, um entendimento das partes para o acordo proposto pode trazer vantagens ao Casino. "Ele pode ser detentor, com elevada participação acionária, em uma empresa com alta rentabilidade", avalia.

Durante entrevista à imprensa, o sócio-fundador da gestora Estater, Percio Souza, afirmou que o empresário Abílio Diniz teria participação, direta e indireta, de 17% no Novo Pão de Açúcar (NPA), empresa a ser criada após a fusão da rede brasileira com o Carrefour no Brasil. Já a rede francesa Casino teria 29%. A nova empresa nasceria com um caixa de R$ 5,7 bilhões e poderia gerar sinergias de R$ 1,8 bilhão por ano, segundo o sócio do BTG, Claudio Galeazzi.

Ao contrário de Júlia, o economista da Senso Corretora Antônio César Amarante acredita que há grande possibilidade de a operação "melar", já que "nada pode ser definido sem o aval do Casino". De fato, em comunicado, o grupo francês lembra do acordo fechado anos atrás com o Grupo Pão de Açúcar, no qual nenhuma negociação sobre o futuro da companhia poderia acontecer sem a participação de ambos. O grupo argumenta que tem poder para se opor à transação, conforme o acordo em curso. "Inicialmente, o Casino lembra desta obrigação a Abílio Diniz e Carrefour. Apesar deste aviso, eles continuaram as discussões, ignorando deliberadamente a lei e ética nos negócios fundamentais", disse o Casino, em comunicado.

Porém, como o Grupo Pão de Açúcar, em entrevista à imprensa concedida nesta manhã, detalha os moldes da fusão com o Carrefour, Amarante, da Senso, considera que o empresário Abílio Diniz pode ter alguma "carta na manga", a fim de evitar a perda do controle do Grupo - caso o Casino exerça o seu direito de preferência, válido a partir de meados de 2012. "Deve haver outras coisas nos bastidores que ainda são desconhecidas e a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sugere, inclusive, um eventual pedido por parte do governo", completa.

O Grupo Pão de Açúcar e o Carrefour têm mais de 1,2 mil lojas juntos, presentes em 178 municípios do Brasil. As duas redes passam a ter juntas 27% do mercado formal brasileiro de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar tem um total de 50 centros de distribuição, ante 17 do Carrefour.

Leia mais :

Carrefour recebe proposta para fusão com Pão de Açúcar

Casino diz que poderá se opôr ao negócio

Abílio Diniz diz que vai avaliar a proposta junto com o Casino

(com Agência Estado)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.