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Para quem comprou ações, ano não vai deixar saudades. O Ibovespa foi a pior aposta, com queda de 18,11%

Um ano difícil e de muito nervosismo para o investidor. Para quem comprou ações, por exemplo, 2011 não vai deixar saudades. O Ibovespa foi a pior aplicação do período, com queda de 18,11%, reflexo da aversão a risco que tomou conta dos aplicadores no mundo. Do outro lado, os investimentos que refletem busca por proteção e conservadorismo dispararam. O ouro foi o mais rentável, com alta de 15,85%, seguido pela inflação medida pelo IPCA (títulos indexados, +12,9%) e pelo dólar (+12,32%).

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O ano foi dominado pela alta volatilidade, gerada por problemas em várias partes do mundo. O primeiro evento, lembra o administrador de carteiras Fabio Colombo, foi a chamada primavera árabe, movimentos populares contra os governos autoritários do Norte da África - Tunísia, Egito e Líbia. Essas rebeliões geraram incertezas sobre as cotações do petróleo e receio de instabilidade política na região. Em seguida, foi a vez de o terremoto seguido de tsunami no Japão causar o acidente na usina nuclear de Fukushima. O fato representou um baque profundo para a tão esperada recuperação da economia japonesa, diz Colombo.

Confira o ranking dos investimentos

Números de 2011, em variação %

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Fabio Colombo

Outro acontecimento importante foi a crise americana gerada pela demorada negociação em torno da aprovação do aumento do teto de crescimento da dívida pública dos EUA pelo Congresso. O embate entre democratas e republicanos foi tão difícil que levou ao rebaixamento da classificação de crédito dos EUA e gerou apreensão aos mercados.

Mas o ápice da volatilidade ainda estava para chegar, com a volta aos radares da crise fiscal e da divida soberana na Europa. Os problemas da dívida grega se arrastaram por vários meses, sem solução, até que foi dado o perdão de 50% ao total da dívida do país. Desdobramentos também atingiram Itália e Espanha.

Nesse cenário, os investidores buscaram proteção. Ouro e dólar foram comprados. Apesar do rebaixamento dos Estados Unidos, os investidores ainda não encontraram uma moeda que substitua a norte-americana quando o assunto é fazer reservas.

Títulos indexados ao IPCA também tiveram bom rendimento, num ano em que a inflação foi uma das principais preocupações do governo brasileiro. A renda fixa também ficou entre as aplicações mais rentáveis. Preocupado com a inflação, o Banco Central chegou a subir os juros ao longo do ano, para só depois iniciar a trajetória de queda. A Selic encerra 2011 em 11% ao ano.

Para 2012, Colombo espera mercados ainda bem voláteis, devido às incertezas sobre a solução para a crise europeia e recuperação da economia mundial. "Em razão da forte queda ocorrida na maioria das bolsas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, há boa chance de que em 2012 o ano seja bom para as bolsas desses países", acredita.

No Brasil, ele lembra que as aplicações a juros deverão proporcionar juro real na faixa de 3 a 5% ao ano; considerados bem baixos para o padrão histórico do país.  Os profissionais de mercado (Pesquisa Focus) prevêem o dólar a R$ 1,75, taxa Selic a 9,50% ao ano e Ibovespa em 70.000 pontos no final de 2012; inflação de 5,3%, crescimento do PIB de 3,4% e balança comercial de US$ 18 bilhões para 2012.

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