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Metal teve valorização de 7,6% no mês e de 29% no ano; Bolsa encerrou o mês com ganhos de 1,79%, enquanto o dólar subiu 0,59%

O ouro fechou o mês de outubro como o ativo com maior valorização, com alta de 7,67%. No ano, o metal acumula uma valorização de mais de 29%. Fabio Colombo, administrador de investimentos, lembra que ele vem liderando as altas desde o início do ano, com poucas exceções. No mês, a segunda maior valorização ficou com o euro em relação ao real, com 2,61%. A Bolsa brasileira teve alta de 1,79% no mês.

“O problema com as moedas internacional tem levado os investidores a se proteger no ouro, já que os juros estão muito baixos ao redor do mundo”, afirma Colombo, lembrando que o mercado brasileiro é um espelho do que acontece no internacional.

Ricardo Martins, gerente de pesquisas da Planner Corretora, lembra que ainda há muita expectativa em relação ao cenário econômico na Europa e nos Estados Unidos, por isso os investidores tendem a procurar o ouro. “Há um cenário internacional de deficits na Zona do Euro, o que leva uma parcela dos investidores para o metal”, justifica.

A valorização dos ativos

Em outubro, em %

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Fonte: Fabio Colombo

Martins afirma que há incertezas no mercado quanto aos rumos que a economia norte-americana tomará. A expectativa é de que o Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) injete liquidez na economia, o que deve levar o dólar para baixo. Nesse cenário, as commodities tendem a subir, bem como o euro, diz Martins. Segundo ele, as notícias vindas da França na tentativa de equacionar seu déficit com a reforma da Previdência e as medidas implementadas pela Alemanha pesaram na valorização da moeda.

Marianna Costa, economista-chefe da Link Investimentos, concorda. Ela avalia que o que ditou o comportamento do mercado no mês foram os Estados Unidos. O ouro, que é uma reserva de valor, é sempre um ativo que o investidor procura em momentos incertos, em que quer evitar o risco, explica a economista. “Existe a ideia de que os EUA crescem de uma forma mais lenta do que era esperado”, diz Marianna.

Dólar

O dólar fechou o mês com valorização de 0,59%, ganhando apenas da caderneta de poupança (0,55%) entre os vários tipos de aplicação. Martins lembra que o comportamento da moeda norte-americana em relação ao real foi influenciado pela elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para os investidores estrangeiros. A alíquota ficou um bom tempo em 2% e foi elevada pelo governo para 4% e, num segundo momento, para 6%. “O dólar voltou para o patamar de R$ 1,70, como queria o governo e a tendência é ficar nesses níveis”, diz Martins.

Colombo afirma que as Bolsas mundiais subiram “bem” em outubro e que a brasileira teve uma das piores valorizações, com 1,79%. “Os ativos estão com preços elevados e, com a queda da Petrobras após o processo de capitalização, os ganhos do início do mês diminuíram.”

A economista da Link afirma que a expectativa de alta da inflação tem pautado a valorização de papéis atrelados a índices de preços. “Em primeiro lugar, a alta dos IGPs reflete uma expectativa de inflação mais salgada no futuro”, afirma Marianna. Além disso, após as medidas do governo para segurar o real, que acabaram tendo efeito nos títulos públicos, o investidor vem exigindo um prêmio maior para ficar nessas modalidades de aplicação, avalia ela.


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