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Banco diz que rebaixamento dos EUA é simbólico. Um sintoma de um mal-estar maior e relativo declínio

O rebaixamento dos Estados Unidos simboliza a redução geral da importância do Ocidente na economia global, diz o BNP Paribas em relatório desta segunda-feira. Para o banco, o corte reflete preocupações legístimas sobre a economia dos EUA, e não será bom para seu crescimento, tão necessário. Apesar disso, a casa acredita que o principal obstáculo foi superado. “Um próximo rebaixamento soberano será mais fácil.”

No relatório, o BNP elenca dez pontos que considera importantes sobre o rebaixamento da maior economia de mercado do mundo. Veja a lista abaixo:

1) Nós não precisamos de mais notícias ruins e incerteza nos mercados actuais. O downgrade (rebaixamento) levanta uma enorme quantidade de questões sobre as quais os participantes do mercado não estão seguros das respostas. A Incerteza aumentou.

2) Haverá uma série de rebaixamentos sequenciais, disse a S&P em sua nota da sexta-feira. "Na segunda-feira, nós emitiremos releases distintos em relação aos ratings afetados para fundos, entidades ligadas ao governo, instituições financeiras, setores de seguros, finanças públicas e finanças estruturadas." Por exemplo, quinze estados dos EUA estão atualmente em AAA e é justo perguntar se eles podem classificar acima os EUA.

3) O Tesouro dos EUA desempenha um papel importante nos mercados financeiros. Apesar de não esperarmos uma forte reação nas curvas de ganhos dos treasuries, a longo prazo consideramos que o downgrade pode adicionar 25 pontos-base aos rendimentos do treasurie de dez anos, o que pode puxar outras taxas.

4) Os ratings são relativos, em parte. O downgrade dos títulos dos Estados Unidos vai colocar outros países AAA sob os holofotes. Neste caso, os mercados e os agentes econômicos podem ignorar o fato de que a falta de vontade política para implementar a consolidação fiscal nos EUA foi citada como o principal motivo para o rebaixamento, e pode ignorar esse fato quando for precificar outras dívidas.

5) As respostas por parte da China, em particular, mostram que a preocupação em relação à trajetória da dívida dos EUA é grave. A agência de risco chinesa Dagong cortou o rating de crédito dos Estados Unidos na semana passada. A agência de notícias Xinhua disse que o país tem "todo o direito agora de exigir que os Estados-Unidos resolvam os problemas estruturais de sua dívida e garantir a segurança dos ativos chineses em dólares.” Tudo o que aumenta as preocupações chinesas em relação aos treasuries deve ser uma preocupação para qualquer outro detentor desses títulos.

6) O dólar é a principal moeda de reservas do mundo. O rebaixamento é um símbolo da redução geral da importância do Ocidente na economia global e um sintoma de um mal-estar maior e de relativo declínio. Preocupações sobre a sustentabilidade fiscal e vontade política dos Estados Unidos para tomar decisões difíceis podem não ser boas para o sistema cambial global e estabilidade do mercado financeiro.

7) Nós atravessamos o grande obstáculo. O próximo rebaixamento soberano será mais fácil. A perspectiva de longo prazo da S&P para os EUA é negativa. O cenário mais otimista para a S&P prevê estabilização do rating em AA+ caso a deterioração da dinâmica da dívida do governo seja retardada. Isso não parece muito uma visão positiva.

8) O rebaixamento dá mais pedras para que os políticos americanos joguem uns nos outros, sem necessariamente melhorar as chances de um caminho que leve à sustentabilidade das finanças públicas. Esperamos que este fato sirva para focar as mentes dos políticos para que cheguem a um acordo sobre a composição dos cortes de US$ 1,5 trilhão previstos para os próximos dez anos. Mas o mercado teme que essa discussão possa polarizar opiniões, e não uni-las.

9) O downgrade não pode ser bom para o crescimento dos EUA. Vai aumentar os custos dos empréstimos, por exemplo, para estados e municípios e para todo um conjunto de instituições do setor privado. Aumenta as incertezas e, portanto, vai agir como um impedimento a investimentos e contratações. Tenderá a abrandar uma economia que já está lenta. Vai diminuir a crença do setor privado na capacidade do Estado para estabilizar a economia e mercados.

10) O rebaixamento reflete preocupações legítimas. Primeiro, sobre o processo de concordar com economias orçamentais nos EUA e segundo sobre o ajuste maciço que o país terá de fazer para trazer seu déficit primário para um npivel sustentável.

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